“A mulher cuida de todo mundo e deixa o autocuidado para trás”: ginecologista reforça alerta no Outubro Rosa

O Outubro Rosa é marcado pela conscientização sobre o câncer de mama e pela importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Apesar do aumento das informações sobre a doença, ainda existem mulheres que não têm acesso adequado à orientação e aos exames preventivos. A ginecologista Morgana Bérgamo Ortolan chama a atenção para a necessidade de transformar a prevenção em um hábito.
“Eu acho que com a informação as mulheres se cuidam mais, mas ainda há um público que não tem esse acesso. E há muita desinformação acerca desse tema. A mulher cuida de todo mundo e deixa o autocuidado para trás”, afirma a médica.
Segundo Morgana, é importante que as mulheres mantenham uma rotina de acompanhamento médico, pelo menos uma vez ao ano, para realizar avaliações e exames preventivos.
Mamografia e diagnóstico precoce
A idade para iniciar a realização da mamografia é uma das principais dúvidas relacionadas à prevenção do câncer de mama. De acordo com a ginecologista, o exame deve começar aos 40 anos, com acompanhamento anual.
A médica destaca que uma parcela importante dos diagnósticos ocorre entre mulheres de 40 e 50 anos, o que reforça a importância de não adiar os exames.
Além da idade, o histórico familiar também merece atenção. Mulheres que tiveram casos de câncer de mama na família, especialmente em parentes diagnosticadas antes dos 50 anos, podem apresentar maior predisposição à doença e precisam de avaliação individualizada.
Morgana também explica que algumas alterações nas mamas devem servir de alerta, como vermelhidão na pele, inversão do mamilo, alterações na textura da região, com aparência semelhante à casca de laranja, e saída de secreção pelo mamilo, principalmente quando apresenta sangue ou aspecto transparente.
“Quando o sintoma aparece, é porque já está avançado”, alerta.
A ginecologista ressalta que o câncer de mama pode apresentar até 90% de chance de cura quando identificado no início. Por isso, o acompanhamento e os exames de rotina são fundamentais.
Autoexame não substitui a mamografia
Outro ponto destacado pela médica é a diferença entre o autoexame e os exames de imagem. Embora conhecer o próprio corpo seja importante, a palpação das mamas não substitui a avaliação médica nem a mamografia.
“Tem casos que o problema só é identificado pela mamografia, não é possível sentir apenas pelo toque”, explica Morgana.
A médica também comenta que nem todo nódulo identificado representa câncer. Existem alterações benignas que podem estar relacionadas às mudanças hormonais ou ao período de amamentação. A classificação dos achados nos exames auxilia os profissionais na avaliação e na definição do acompanhamento necessário.
Fatores de risco
Além da predisposição genética e do histórico familiar, outros fatores podem aumentar o risco de desenvolver câncer de mama. Entre eles estão a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo.
Embora a incidência seja menor, a doença também pode atingir homens. Por isso, alterações mamárias não devem ser ignoradas independentemente do sexo.
Morgana explica ainda que os protocolos de investigação e acompanhamento são os mesmos para pacientes atendidas pela rede pública ou particular, com a frequência dos exames ajustada conforme a idade e o nível de risco de cada pessoa. Em situações que exigem maior atenção, o acompanhamento pode ocorrer em intervalos de seis ou até três meses.
Atendimento pelo SUS
A ginecologista também chama a atenção para o acesso aos exames pela rede pública de saúde. Segundo ela, a mamografia passou a ser disponibilizada pelo SUS a partir dos 40 anos, ampliando o acesso das mulheres à prevenção.
Apesar de o tempo de espera poder ser maior em comparação com a rede privada, a médica ressalta que as pacientes serão atendidas. Caso alguma alteração seja identificada, a investigação e a continuidade do tratamento também podem ser realizadas pelo sistema público.
Prevenção também envolve o câncer do colo do útero
Além do câncer de mama, a saúde ginecológica exige atenção ao câncer do colo do útero. Morgana destaca a importância do exame preventivo, conhecido como Papanicolau, que deve ser realizado, conforme sua orientação, a partir dos 25 anos.
O exame é indicado mesmo quando a mulher não apresenta sintomas. Entretanto, sangramentos fora do período menstrual, corrimentos persistentes e dores pélvicas são sinais que justificam uma avaliação ginecológica antes do intervalo previsto para o rastreamento.
A médica explica que, antes dos 25 anos, muitas lesões relacionadas ao HPV podem regredir espontaneamente, o que justifica a orientação de não antecipar o rastreamento.
Para Morgana, em um país que registra aproximadamente 20 mil casos de câncer do colo do útero e 70 mil casos de câncer de mama, a conscientização precisa ir além das campanhas realizadas em outubro. O cuidado com a saúde da mulher deve fazer parte da rotina durante todo o ano, com informação, acompanhamento profissional e acesso aos exames.
Com a colaboração de Lorena Santana, conforme convênio de estágio firmado com a Universidade Estadual de Ponta Grossa.




