Quadro Negro: Justiça recebe delação de funcionária da Valor que envolve Beto Richa e nomes fortes do governo do Paraná


O Supremo Tribunal Federal (STF) enviou à 9ª Vara Criminal de Curitiba os documentos da delação da ex-secretária da Construtora Valor, Vanessa Domingues. A Valor é investigada na Operação Quadro Negro, deflagrada em 2016, para apurar o desvio de mais de R$ 20 milhões que deveriam ser utilizados na construção de escolas estaduais. As obras seguem paradas e segundo Vanessa Domingues, o dinheiro foi repassado às campanhas de políticos influentes no Paraná.
Segundo reportagem da RPC nesta sexta-feira (20), Vanessa Domingues citou em sua delação o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), o irmão do governador, secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, José Richa Filho, Pepe Richa, o presidente do Tribunal de Contas (TCE-PR), Durval Amaral. Também foram citados o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), o deputado estadual Plauto Miró (DEM) e o deputado Tiago Amaral (PSB) (filho de Durval Amaral).
O acordo de Vanessa foi fechado junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), por citar nomes de políticos que possuem prerrogativa de foro. A delação dela foi homologada pelo ministro Luiz Fux.
Com a delação, Vanessa recebeu alguns benefícios da Justiça. Ela não poderá ser presa preventivamente por fatos criminosos realizados antes da homologação do acordo. Caso seja condenada, a pena não pode passar de quatro anos de prisão e deve ser cumprida, inicialmente, em regime aberto.
Na delação, a ex-secretária se comprometeu a contar tudo o que sabia sobre crimes que tenham sido praticados contra a administração pública, entre eles, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além dos depoimentos, ela teve que apresentar provas da existência desses crimes.
Vanessa Domingues apresentou provas de cinco depósitos bancários realizados entre 2014 e 2015. Somados, eles passam de R$ 200 mil. O dinheiro, segundo Vanessa, foi usado para comprar dólares em espécie, que foram levados a Moçambique, na África.
Em 2015, logo depois que o esquema foi descoberto, Vanessa já tinha falado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre saques suspeitos, realizados pelo dono da empresa, Eduardo Lopes de Souza, para o pagamento de propina. O depoimento da época foi gravado em vídeo.
O que disseram os citados:
Beto Richa: disse que “rechaça qualquer declaração que envolva seu nome e reafirmou que foi ele que mandou investigar as irregularidades”.
Pepe Richa: afirmou que as acusações são absurdas e mentirosas e que a secretaria que ele comanda não tem ingerência na Secretaria de Educação.
Durval Amaral: declarou que “não tem relação nenhuma com a Valor e que apoia o trabalho da justiça”.
Traiano: disse que “sempre agiu com lisura e que a justiça deve agir na plenitude de suas competências”
Plauto: afirmou que “não vai se manifestar sobre a citação do nome dele em uma situação que jamais participou”
Tiago Amaral: disse que “só conhece o caso pela imprensa”
Advogados da Valor: disseram que “não vão comentar o caso por que o processo está em sigilo de justiça”
Secretária de Educação do Estado- reforça que foi o próprio governo que autorizou a investigação e que está colaborando com a Justiça.
Com informações da RPC TV.
Veja a matéria :
http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/justica-criminal-recebe-delacao-de-funcionaria-de-construtora-acusada-de-fraude-na-construcao-de-escolas.ghtml
Veja os links relacionados do Blog da Mareli Martins: