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Matheus Laiola destina recursos para instituição e clínicas investigadas por desvio de recursos da causa animal: Clinicão é uma das empresas

Matheus Laiola destina recursos para instituição e clínicas investigadas por desvio de recursos da causa animal: Clinicão é uma das empresas
  • Publishedjunho 22, 2026
Entre as clínicas investigadas, uma é a Clinicão, que também é investigada pela Polícia Civil do Paraná por ter soltado cães recém-operados em via pública, e a outra, Clínica Ricardo, foi alvo de busca e apreensão em operação da Polícia Federal (PF), em maio, contra desvio de emendas para castração no Rio de Janeiro. (Foto: Câmara Federal)

Os deputados Bruno Lima (Podemos-SP) e Matheus Laiola (União-PR) destinaram mais de R$ 11 milhões, cada, para uma associação e duas clínicas investigadas por desvio de recursos da causa animal.

Foram mais de R$11 milhões alocados para a Associação Catarinense de Gestão Hospitalar, Conhecimento e Assistência Social (CHC), que é contratada por meio de convênio com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).  Além disso, a associação contratou as clínicas Ricardo (SP) e Clinicão, que é investigada pela Polícia Civil do Paraná por maus-tratos aos animais.  A informação foi divulgada pelo site Metrópoles. A Clinicão possui várias empresas em diferentes cidades e estados, sempre com o nome Clinicão, além de contar com sócios em comum em diversas delas.

A Clinicão é investigada em Ponta Grossa por ter soltado cães recém-operados em via pública e a outra clínica, Ricardo, foi alvo de busca e apreensão em operação da PF (Polícia Federal), em maio, contra desvio de emendas para castração no Rio de Janeiro.

O Portal Mareli Martins sempre questionou o silêncio de Laiola sobre a investigação da Clinicão e em relação aos casos já confirmados de maus-tratos e abandono de animais, conforme consta no relatório da Polícia Civil do Paraná (documento no final da matéria). No entanto, o deputado se mantém em silêncio sobre o caso. A defensora de Laiola em Ponta Grossa, vereadora Teka, que já foi assessora dele, antes de se eleger vereadora, também costuma fugir do assunto, quando questionada sobre o silêncio do deputado.

A verba deveria ser utilizada no programa Castra+, que percorre as cidades do estado com ambulatórios veterinários móveis para castração e microchipagem de cães e gatos.

De dezembro de 2025 a maio deste ano, a Dengoso e Manhosos clínica veterinária era a única contratada pelo programa e possui os mesmos sócios da Clinicão, empresa que possui diversas filiais, inclusive em Ponta Grossa, onde a empresa é investigada por maus-tratos aos animais.

Bruno Lima disse que a responsabilidade do contrato é do Ministério do Meio Ambiente e que desconhece as investigações contra as empresas citadas. Já Matheus Laiola afirmou que “não tem conhecimento algum de irregularidades na execução”.

 

Denúncias

A denúncia do TCE-SC aponta uma série de suspeitas de desvio, que envolvem investigações recentes sobre desvios de recursos públicos e fraudes de “cães fantasmas”.

Das duas clínicas contratadas pela CHC para o Castra+, uma é a Clinicão, investigada pela Polícia Civil do Paraná por ter soltado cães recém-operados em via pública, e a outra, Clínica Ricardo, foi alvo de busca e apreensão em operação da Polícia Federal (PF), em maio, contra desvio de emendas para castração no Rio de Janeiro.

 

Outras irregularidades

Além do programa de castração, a organização tem contratos em diversos governos estaduais e municípios. Em Itapema (SC), a organização é investigada por um contrato e os repasses foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC).

A organização também é investigada por ter usado do contrato com o município para contratar a empresa de consultoria de João Paulo Silva, irmão de Guto Silva, ex-secretário do governador paranaense Ratinho Jr (PSD).

Além disso, a organização é investigada quanto ao uso de “cães fantasmas” que teriam sido usados para conseguir verbas de castrações e microchipagens que nunca aconteceram. O nome da Clinicão aparece entre as clínicas que realizaram estes procedimentos, em 93 registros.

Suspeita de pets “fantasmas” em SP
O Metrópoles analisou os microchips de 500 animais atendidos pelo Castra+ em quatro municípios paulistas (Ribeirão Preto, Santana do Parnaíba, Pilar do Sul e Pardinho). Em apenas 61 registros, constam o nome do tutor. Outros 346 não estão registrados no cadastro nacional de animais domésticos (Sinpatinhas) e 93 estão registrados em nome da Clinicão, empresa contratada para os procedimentos.

Entre os casos de cães e gatos que constam como microchipados, mas que não são rastreáveis porque não possuem cadastrados no registro nacional de animais domésticos, está o de um tutor de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, registrado na ficha da castração como Samsung A14.

Entre os casos de cães e gatos que constam como microchipados, mas que não são rastreáveis porque não possuem cadastrados no registro nacional de animais domésticos, está o de um tutor de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, registrado na ficha da castração como Samsung A14.

O alegado humano com nome de modelo de celular seria tutor dos cachorros Negão e Fred, mas o número atribuídos aos pets constam como “microchip não registrado” no cadastro do Ministério do Meio Ambiente.

Já em Pardinho, no interior paulista, a cachorra Quiara foi registrada, conforme a ficha escrita à mão, pelo tutor Leonardo, sem sobrenome. O microchip da cadela, porém, está vinculado ao suposto cão Bolsonaro 17, registrado em nome da Clinicão, clínica contratada com recurso de emenda parlamentar

Investigação pode ser o motivo do silêncio de Laiola sobre denúncias envolvendo  Clinicão em Ponta Grossa

Desde o início das denúncias e investigações sobre a atuação da Clinicão em Ponta Grossa, o deputado Laiola não se manifestou. O Portal Mareli Martins questionou por diversas vezes sobre o silêncio.

A vereadora Teka dos Animais (União) é aliada de Laiola e ambos se apoiaram nas eleições, principalmente em cima da causa animal, mas ele não disse uma palavra sobre a situação até o momento.

“Em relação à questão do deputado, eu não posso responder por ele. Ele está lá em Brasília e eu aqui em Ponta Grossa. Eu estou lutando aqui por eles, tanto é que quando aconteceu o caso, nós fomos ao local, fizemos uma varredura, infelizmente naquele dia nós não conseguimos encontrar os animais, mas nós colhemos inúmeras informações, onde as pessoas realmente relataram que os animais não são de lá. Então nós tomamos essas providências, eu como vereadora aqui do nosso município”.

 

O que dizem os deputados

 

Bruno Lima disse que a responsabilidade do contrato é do Ministério do Meio Ambiente e que desconhece as investigações contra as empresas citadas.

 Matheus Laiola afirmou que “não tem conhecimento algum de irregularidades na execução”.

 

O que diz a CHC

A CHC disse que o processo em curso no TC-SC “não mostrou provas concretas de qualquer irregularidade”.

Sobre as emendas encaminhadas aos programas Castra+, a organização afirmou que “nenhum pagamento acontece” sem que as castrações sejam “feitas, comprovadas e lançadas no sistema Sinpatinhas”. A entidade garantiu que “não há qualquer prejuízo ao erário”.

A CHC também disse que as inconsistências apontadas pela reportagem ocorrem por instabilidades no sistema do Ministério do Meio Ambiente.

A respeito das clínicas contratadas, a entidade disse que “adota critérios rigorosos” e que investigações são insuficientes para não contratar empresas.

“Investigação não é condenação. Até porque existe a possibilidade de as investigadas não serem condenadas”, afirma a organização.

 

O que diz o Ministério de Meio Ambiente

O Ministério do Meio Ambiente não se manifestou.

 

Relatório da Polícia Civil do Paraná sobre a investigação da Clinicão

relatorio-20261066131-202606091219

 

Com a colaboração de Ester Roloff, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

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