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Livro de professoras transforma história de Ponta Grossa em ferramenta de ensino e preservação cultural

Livro de professoras transforma história de Ponta Grossa em ferramenta de ensino e preservação cultural
  • Publishedjulho 26, 2026
Com 22 capítulos distribuídos em mais de 400 páginas, o livro nasce como referência para o ensino da história e da geografia do município, mas também pretende despertar o sentimento de pertencimento e incentivar a preservação do patrimônio cultural e natural.

A história de Ponta Grossa ganhou um novo registro. Mais do que um livro didático, “Ponta Grossa: Nos Trilhos da Memória” reúne pesquisas, entrevistas, fotografias, documentos históricos e ilustrações produzidas por estudantes para aproximar crianças, professores e a comunidade da identidade dos Campos Gerais. 

A obra, resultado da parceria entre as secretarias municipais de Educação e Turismo, com apoio da Cultura, foi organizada pelas professoras Aparecida de Fátima de Oliveira Castanho, Maria Aparecida Carbonar, Carla Rosana Oroski, Cíntia Ribeiro Ferreira e Márcia Maria Dropa. 

Com 22 capítulos distribuídos em mais de 400 páginas, o livro nasce como referência para o ensino da história e da geografia do município, mas também pretende despertar o sentimento de pertencimento e incentivar a preservação do patrimônio cultural e natural.

A jornalista Mareli Martins conversou com as professoras Aparecida de Fátima e Maria Aparecida sobre a publicação, entendendo a origem do projeto e as repercussões que esperam gerar na cidade.

O ínicio nas salas de aula

A jornalista Mareli Martins conversou com as professoras Aparecida de Fátima e Maria Aparecida sobre a publicação, entendendo a origem do projeto e as repercussões que esperam gerar na cidade. (Foto: Mareli Martins)

A ideia do livro começou a tomar forma após a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em 2017. Durante o processo de adequação do currículo municipal, as educadoras perceberam que os professores não possuíam um material unificado sobre a história e a geografia de Ponta Grossa. 

A necessidade tornou-se ainda mais evidente durante a pandemia de Covid-19 (2020-2023), quando os docentes precisaram produzir conteúdos para o ensino de maneira remota.

Segundo Aparecida de Fátima, o projeto surgiu justamente dessa lacuna. “Nós sentimos a necessidade de o município ter um referencial curricular adequado às diretrizes da BNCC. Os professores também precisavam de um subsídio teórico para desenvolver o seu trabalho em sala de aula”, afirmou.

Ela lembra que a experiência durante a pandemia reforçou essa percepção. “A gente percebeu que era difícil você ter onde pesquisar os componentes curriculares de História e Geografia, porque as professoras não tinham um único referencial de onde tirar o material para ser trabalhado com os alunos.”

A professora explica que a proposta rapidamente ultrapassou a elaboração de um simples material pedagógico. O objetivo passou a ser construir uma obra capaz de reunir diferentes aspectos da formação histórica, geográfica, turística e cultural do município.

A identidade de Ponta Grossa

Os temas abordados no livro foram definidos a partir do Referencial Curricular Municipal. História, geografia, patrimônio cultural, turismo, industrialização, urbanização, religiosidade, tropeirismo, educação, cultura popular e meio ambiente foram organizados em capítulos que dialogam entre si.

Maria Aparecida destaca que a seleção dos conteúdos teve como foco as necessidades dos professores. “Ele foi dividido com base no referencial curricular. De lá nós tiramos os temas, justamente porque ele ia ser um aporte teórico para o professor que vai trabalhar sobre Ponta Grossa e os Campos Gerais.”

Ela também enfatiza que preservar a memória depende do conhecimento das novas gerações. “Nós procuramos mostrar para os alunos que eles também são sujeitos da história. Os alunos precisam conhecer e gostar de algo para respeitar e querer preservar, porque isso tem que começar com os pequenos.”

Para as autoras, a proposta vai além do ambiente escolar. A expectativa é que a obra desperte o interesse de toda a população pela própria história da cidade.

Histórias de quem viveu a cidade

Uma das características marcantes do livro é a utilização de entrevistas com moradores, pesquisadores e personagens que ajudaram a construir a história local. Ao invés de apresentar apenas dados históricos, as autoras optaram por registrar memórias vivas.

Maria Aparecida recorda com emoção o capítulo sobre a antiga telefonia. “Eu consegui fazer entrevista com duas ex-telefonistas. Muitas das coisas que elas comentaram eram exatamente o que minha mãe contava quando eu era criança.”

Ela acredita que esse tipo de registro valoriza experiências que poderiam desaparecer com o tempo. “Eu me emocionei bastante nas entrevistas. Olha a importância de registrar essas histórias.”

Já Aparecida de Fátima destaca que o mesmo aconteceu em outros capítulos. “Eu consegui entrevistar a pessoa que, por 38 anos, organizou a Festa Junina da Capela São Sebastião, no Roxo Roiz. Quem melhor do que essas pessoas para contar como é a vida e a cultura daquele lugar?”

Segundo ela, a riqueza cultural do livro vem justamente dessas pessoas que puderam colaborar com registros e histórias do passado da cidade, porque sozinhas as professoras não teriam conseguido fazer esse trabalho.

Educação patrimonial

Ao longo da entrevista, as professoras defendem que conhecer a história da cidade é um caminho para fortalecer a preservação do patrimônio histórico e ambiental.

Para Maria Aparecida, muitas perdas poderiam ter sido evitadas caso houvesse maior valorização da memória local. “Quando mostramos aos alunos a antiga Catedral, muitos perguntam por que ela não existe mais. Você percebe o prejuízo que isso trouxe para a cidade.”

Ela acrescenta que preservar não significa impedir transformações, mas proteger a identidade histórica. “As pessoas precisam conhecer o que é o tombamento. Tombamento não é derrubar; é proteger para que aquele patrimônio continue existindo.”

Aparecida de Fátima reforça que essa conscientização também vale para os patrimônios naturais. “Nosso objetivo é que o aluno se perceba como sujeito da história. Não são apenas os prédios tombados; somos nós, os pontagrossenses, que construímos essa história.”

Participação das crianças

Outro diferencial da publicação é a participação dos estudantes da rede municipal. Todos os capítulos são ilustrados com desenhos produzidos por crianças que participaram de um concurso realizado durante as comemorações dos 200 anos de Ponta Grossa.

Segundo Aparecida de Fátima, os professores de Arte receberam formação específica para orientar os estudantes. “Os professores trabalharam os temas da cidade e os alunos produziram desenhos sobre o patrimônio natural, cultural, tropeirismo, ferrovias e araucárias.”

Maria Aparecida explica que o sucesso foi tão grande que a comissão decidiu utilizar os desenhos ao longo de toda a publicação. “Como tivemos um grande número de desenhos maravilhosos, optamos por abrir cada capítulo com a ilustração de um aluno.”

Legado para as futuras gerações

Embora o livro tenha sido produzido para apoiar os professores da rede municipal, as autoras acreditam que ele pertence a todos os moradores de Ponta Grossa. A versão digital permitirá que a obra alcance um público ainda maior.

Ao final da entrevista, Maria Aparecida conta a expectativa das autoras. “A gente espera que esse livro seja ressignificado pelo trabalho do professor e que realmente faça diferença na aprendizagem dos estudantes.”

Aparecida de Fátima também destacou o sentimento envolvido na produção da obra. “Foi um trabalho feito com amor. Nós esperamos que esse sonho chegue aos professores, aos alunos e faça a diferença onde ele tem que fazer: na aprendizagem e na valorização do patrimônio natural e cultural.”

Mais do que registrar fatos históricos, Ponta Grossa: Nos Trilhos da Memória propõe uma viagem pelos caminhos que moldaram a cidade e convida seus moradores a reconhecerem que a memória coletiva continua sendo construída todos os dias.

VEJA A ENTREVISTA

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Leia o livro no formato digital: “Ponta Grossa: Nos Trilhos da Memória”

Nos trilhos da memória PDF

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