Requião Filho diz que fará auditoria em processo de privatização da Copel: “se tiver trambique, vamos mandar para PF”

Nesta terça-feira (8), o Portal Mareli Martins entrevistou o candidato ao Governo do Paraná Requião Filho. Durante 40 minutos de entrevista, além de dois minutos destinados às considerações finais, o candidato respondeu a questionamentos sobre propostas para o Paraná.
Confira os principais pontos da entrevista de Requião Filho
Corrupção no INSS, envolvimento de Lulinha e do presidente do PDT
Requião Filho foi questionado sobre as investigações envolvendo fraudes e irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sobre eventuais responsabilidades de pessoas ligadas a partidos que apoiam sua candidatura.
Ao ser perguntado sobre possíveis envolvidos ligados ao “Lulinha”, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente do PDT, partido ao qual é filiado, o candidato defendeu que as investigações avancem independentemente de vínculos políticos.
“Se for culpado, que seja preso”, afirmou.
Requião Filho defendeu que o mesmo critério seja aplicado a aliados e adversários e que eventuais responsabilidades sejam determinadas a partir das investigações.
Venda da Copel e promessa de investigação
A privatização da Copel esteve entre as principais críticas de Requião Filho ao governo Ratinho Junior. O candidato classificou a venda da companhia como a “pior decisão” da atual gestão estadual e afirmou que, caso seja eleito, pretende investigar o processo de privatização.
Segundo ele, um eventual governo comandado por sua gestão buscaria analisar como ocorreu a venda da companhia e verificar a existência de possíveis irregularidades. Caso sejam encontradas, defendeu que as informações sejam encaminhadas aos órgãos competentes.
O candidato também relacionou a privatização ao aumento do custo da energia elétrica no Paraná. Para ele, a perda do controle estatal sobre a companhia reduziu a capacidade do governo de utilizar a Copel como instrumento para manter tarifas mais baixas para a população.
Pedágios e responsabilidade do governo federal
O atual modelo de pedágios do Paraná também foi alvo de críticas. Apesar de contar com o apoio do presidente Lula na disputa eleitoral, Requião Filho afirmou que o governo federal tem responsabilidade pela implantação das atuais concessões, por ter aceitado a proposta apresentada pelo governador Ratinho Junior.
O candidato também criticou a atuação de outras instituições no processo. Segundo ele, a demora do Judiciário em agir e a atuação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal contribuíram para que o modelo fosse consolidado.
Questionado sobre o que poderia fazer caso fosse eleito, considerando que os contratos podem chegar a 35 anos, Requião Filho afirmou que pretende reforçar a fiscalização das concessionárias e encaminhar eventuais irregularidades ao Ministério Público e à Justiça.
Educação e fim das escolas cívico-militares
Na educação, Requião Filho se posicionou contra o modelo cívico-militar adotado em escolas estaduais e defendeu o encerramento do programa.
Segundo o candidato, sua posição não significa fechar as instituições de ensino que atualmente adotam o modelo, mas retirar o formato cívico-militar.
Ele questionou a eficiência do programa, afirmou haver excesso de propaganda em torno dessas escolas e colocou em dúvida os resultados apresentados. Requião Filho também disse possuir denúncias relacionadas ao funcionamento das instituições e defendeu que o modelo seja avaliado a partir de resultados concretos.
Michele Caputo Neto como vice: ele foi secretário da Saúde no governo de Beto Richa
O candidato também respondeu sobre a escolha de Michele Caputo Neto para compor sua chapa como vice. O questionamento ocorreu diante das críticas feitas anteriormente por Requião Filho a Caputo durante o período em que ele integrou o governo Beto Richa.
Em resposta, Requião Filho afirmou que a trajetória do ex-secretário não pode ser resumida à participação naquela administração. Como contraponto às críticas anteriores, destacou a atuação de Caputo durante a pandemia de Covid-19, período em que, segundo o candidato, ele esteve entre os defensores da vacinação e da preservação da vida.
Voto impresso
Questionado sobre o voto impresso, Requião Filho afirmou ser favorável à adoção de mecanismos que ampliem a possibilidade de auditoria do processo eleitoral.
O candidato defendeu uma “urna auditável”, com instrumentos que, segundo ele, permitam verificar a segurança e a confiabilidade do processo de votação.
Legalização da maconha
Sobre a legalização da maconha, Requião Filho afirmou ser favorável ao uso medicinal da cannabis, mas contrário à liberação para fins recreativos.
Porte de armas
Em relação ao porte de armas, o candidato se posicionou contra a ampliação do acesso. Para Requião Filho, a política de segurança pública deve priorizar o fortalecimento das forças policiais e o combate efetivo às organizações criminosas.
Fim da escala 6×1
Requião Filho declarou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, mas defendeu que uma eventual mudança ocorra de forma gradual, permitindo a adaptação das empresas.
Segundo ele, principalmente os pequenos empresários precisam de tempo para reorganizar suas estruturas diante de uma mudança na jornada de trabalho. O candidato também defendeu a utilização de benefícios fiscais como forma de auxiliar as empresas durante esse processo.
Apoio de Lula e diálogo com o governo federal
A relação com o presidente Lula também foi abordada durante a entrevista. Embora tenha deixado o PT e atualmente seja filiado ao PDT, Requião Filho conta com o apoio do presidente na disputa pelo Governo do Paraná.
O candidato defendeu a manutenção do diálogo com o governo federal e afirmou que a parceria pode ser utilizada para viabilizar investimentos e projetos no estado. Para Requião Filho, a relação política com Brasília deve ser colocada a serviço dos interesses do Paraná.
Custo de vida e impostos no Paraná
Ao falar sobre o custo de vida no Paraná, Requião Filho atribuiu parte do problema à carga tributária estadual e aos valores cobrados por serviços como energia elétrica, água e pedágio.
O candidato citou a alíquota do ICMS no Paraná, que, segundo ele, chegou a 19,5% durante o governo Ratinho Junior. Também argumentou que o aumento de tarifas e dos custos de transporte acaba sendo incorporado aos preços dos produtos consumidos pela população.
Requião Filho voltou a citar a Copel e afirmou que a energia elétrica, anteriormente entre as mais baratas do país, passou a pesar mais no orçamento dos paranaenses. Também apontou as tarifas de água e os pedágios como fatores que, na avaliação dele, contribuem para elevar o custo de vida no estado.
ANTT e fiscalização das rodovias
Ainda no tema das rodovias, Requião Filho foi questionado sobre a atuação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), considerando sua proximidade política com o atual governo federal.
O candidato afirmou que parte dos integrantes da agência foi indicada durante o governo Jair Bolsonaro e avaliou que essas nomeações ainda influenciam a atuação do órgão. Para ele, as indicações para a ANTT devem seguir critérios mais técnicos.
Celepar e segurança de dados
Sobre a Celepar, Requião Filho defendeu a manutenção da empresa sob controle público e afirmou que pretende utilizá-la como instrumento de modernização e desburocratização do Estado.
O candidato também destacou o papel da companhia na gestão e segurança de dados utilizados pelo Judiciário, pelas forças policiais e por outros serviços públicos do Paraná.
Propostas para pequenas e médias empresas
Na área econômica, Requião Filho prometeu reduzir a carga tributária para pequenas e médias empresas. Entre as propostas apresentadas está o ICMS zero para micro e pequenas empresas.
O candidato também defendeu a elevação do limite do Simples Estadual para equipará-lo ao modelo federal e a retirada da substituição tributária para determinados setores.
Segundo Requião Filho, as medidas teriam como objetivo diminuir a carga tributária sobre os pequenos negócios e estimular a atividade econômica no Paraná.
IPVA
Requião Filho afirmou ainda que pretende manter a redução do IPVA adotada no Paraná. Segundo o candidato, a continuidade da medida permitiria preservar a redução da carga tributária para os proprietários de veículos no estado.
Nova ferrovia e investimentos em estradas
Na área de infraestrutura, o candidato defendeu a construção de uma nova ferrovia e a realização de investimentos na malha rodoviária paranaense.
Segundo Requião Filho, melhorar a estrutura de transporte de cargas pode reduzir os custos logísticos do estado e, consequentemente, diminuir o impacto do transporte sobre o preço final dos produtos.
Considerações finais
Ao encerrar a entrevista, Requião Filho voltou a criticar seus adversários na disputa pelo Governo do Paraná. “Estou em uma disputa com um candidato que o Paraná não conhece e com um que não conhece o Paraná”, afirmou.
O candidato também reforçou a defesa de uma parceria com o governo federal. Segundo ele, a aproximação com Brasília pode ser utilizada para buscar investimentos e projetos para o estado, com o objetivo de transformar o Paraná de um estado “mediano” em um “estado modelo”.
Assista a entrevista
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Com a colaboração de Lorena Santana, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).




