Eleições no PR: Sandro Alex (PSD) culpa “burocracia” pelas obras paradas no Paraná e diz que oposição “tentou travar obras”

Um levantamento da Secretaria das Cidades do Paraná indica que 32 obras públicas estão paralisadas em junho de 2026. A interrupção travou cerca de R$ 65 milhões em investimentos em áreas como saúde e segurança, devido a falhas de empresas e rescisões de contrato. Já o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou 33 obras paradas, incluindo obras em rodovias.
Curitiba lidera a lista com sete contratos interrompidos. Foz do Iguaçu aparece em seguida, com quatro obras paradas. O problema, no entanto, se espalha por todo o Paraná, afetando municípios no Sudoeste (como Pato Branco), Oeste (Toledo), Norte (Londrina), Litoral (Paranaguá) e Noroeste (Porto Rico), prejudicando o acesso da população local a novos serviços públicos.
O Portal Mareli Martins questionou nesta sexta-feira (11) o candidato ao Governo do Paraná, Sandro Alex (PSD), sobre as obras paradas. Sandro foi secretário de Infraestrutura e Logística nos dois mandatos de Ratinho Jr e foi indicado pelo governador para disputar o governo.
“Nós enfrentamos muita burocracia, porque nós temos ainda muitos que tentam travar obras no Paraná. Para fazer a ponte de Guaratuba, eu enfrentei trinta e seis processos, também do Tribunal de Contas, mas eu venci todos eles e entreguei a ponte. Mas eu levei cinco anos pela burocracia, quando foi para construir, eu construí em menos de dois anos. Mas para superar as burocracias não é fácil, mas nós estamos avançando e mostrando legalidade do processo, tocando pra frente e entregando obras. Nós temos hoje, Marelli, em andamento o maior volume de obras da história do Paraná e temos mais obras que o estado de São Paulo, que tem um PIB três vezes maior que o nosso. Essa é a realidade. E nós vamos avançar, porque nós temos hoje mil e oitocentos quilômetros pra duplicar no Paraná, no meu mandato”, disse Sandro Alex.
Críticas aos adversários
Sandro aproveitou para alfinetar os concorrentes ao governo, Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT).
“Os investimentos estão acontecendo e não vamos deixar parar, porque a intenção do meu concorrente é rever contratos, reavaliar convênios e, se possível, colocar moratório no Paraná. Eu não vou permitir, nós vamos tocar as obras pra frente que estão acontecendo, inclusive na região de Ponta Grossa, a duplicação da 277 eu quero entregar no meu mandato ela duplicada. Nós já iniciamos aqui na região dos Campos Gerais, entre Palmeira e Iratir e Prudentópolis, pra subir a Serra da Esperança. É um exemplo, está em andamento nesse momento, maior execução de obras”, afirmou Sandro Alex.
Privatização da Copel e a piora dos serviços no Paraná
As consequências da privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia) foram apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Os conselheiros fizeram duras críticas à deterioração dos serviços prestados pela companhia, defenderam a manutenção da fiscalização do órgão sobre a empresa e questionaram os prejuízos impostos à população paranaense. E o mesmo apontamento foi feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
O Número de Ocorrências Emergenciais com Interrupção de Energia Elétrica aumentou substancialmente. O pior resultado, por outro lado, é o Tempo Médio de Preparação. Esses resultados ainda não computam o PDV da empresa, que deve mandar embora 1438 dos 5830 funcionários em agosto deste ano. Isso representa 24,6% do efetivo”, apontou a ANEEL.
Sandro Alex foi questionado se foi erro privatizar a Copel.
“A modernização da Copel era necessária porque a Copel sempre trabalhou no limite dela. Como o Paraná passou a ter uma gestão austera, o Paraná, ele se desenvolveu acima do Brasil, o crescimento do Paraná foi acima do Brasil. E aliás, o povo paranaense é um dos maiores acionistas da Copel, continua sendo. Então quando tem dividendo, vem para o povo, vem para o governo e tem direito ao veto. Só que tem uma diferença. Nós estamos agora fazendo investimento nas usinas em Segredo e Foz da Areia, são cinco bilhões. E isso vai fazer a gente ter mais fornecimento, mais abastecimento. Sete milhões de pessoas vão poder ser atendidas com esses investimentos. Ao todo, 23 bilhões de reais em subestações. No governo passado, no governo anterior, o governo do atraso, que criticam, eles construíram uma subestação a cada quatro anos. A gente construiu 19 e vamos entregar mais cinquenta. Então isso vai garantir, nós vamos cobrar, nós temos contrato para cobrar eficiência”, disse Sandro Alex.
Sobre a piora nos serviços da Copel depois da privatização, Sandro tentou responder misturando com o preço da energia (mais caro), que além do estado, envolve o governo federal.
“Quem aumentou o preço da energia não foi o governo do Paraná, foi o Sistema Nacional de Brasília”.
O Portal Mareli Martins questionou o candidato: “mas a piora depois da privatização, o senhor reconhece que piorou o serviço no Paraná após a privatização?
“Nós estamos cobrando cada vez mais eficiência e nós temos contrato para isso. Independente dos números, eles apresentam números que respeitam as condições da Aneel”, respondeu Sandro Alex.
Corrupção na tentativa de privatização da Celepar
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp) publicou um contrato inexistente no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), plataforma do governo federal que reúne informações sobre contratações públicas em todo o país.
O documento inserido no sistema trata do ato nº 27/2026, datado de 20 de março, que autorizaria a contratação direta do Serviço Federal de Processamento de Dados no contexto da privatização da Celepar. No entanto, o próprio Serpro negou a existência de qualquer contrato firmado com a Sesp.
A Secretaria reconheceu que houve um “erro material” no preenchimento dos dados no sistema e informou que o registro já foi anulado. Em nota oficial, a pasta afirmou ainda que o processo de contratação do Serpro segue em andamento e que a publicação indevida será apurada para eventual responsabilização de servidores envolvidos.
O documento publicado indicava uma contratação milionária entre a Sesp e o Serpro, mas, conforme apuração do Capital Digital, não havia qualquer formalização desse acordo.
Além disso, o conteúdo do contrato apresentava inconsistências. Em um trecho, o valor informado para a prestação de serviços era de R$ 24 milhões por um período de 12 meses. No entanto, na mesma página, o valor total do contrato aparecia como R$ 438,7 milhões.
Esse montante, inclusive, coincide com outro contrato já existente, publicado em 5 de fevereiro, que trata da contratação da própria Celepar pela Secretaria de Segurança.
Apesar da inexistência do acordo com o Serpro, a Sesp chegou a registrar no portal federal a contratação no valor de R$ 438.706.992,08.
Sandro defendeu a modernização da Celepar e disse que ninguém foi julgado ainda no caso da corrupção.
“Bom, Mareli, primeiro você conhece a minha história, você sabe toda a minha conduta, minha ficha limpa, não respondo a processos, eu toquei mais de 15 bilhões em obras pelo Paraná sem nenhum apontamento, entreguei o maior pacote e volume de obras do estado do Paraná. Eu entendo que não há nenhum processo julgado e que respondam por tudo aquilo que possa estar sendo investigado. Eu não tenho compromisso com o erro e mal feito de ninguém, mas eu entendo que a Celepar tem que ter garantia dos seus dados, nós temos que ter o banco de dados e o data center soberano no nosso território. E isso eu não vou abrir mão, eu participei da construção da lei de propriedade”, afirmou Sandro Alex.
Questionado se vai continuar tentando privatizar a Celepar, Sandro não usou a palavra privatização: “modernizar é necessário”.
PORTAL MARELI MARTINS CONVIDOU SANDRO PARA ESTREVISTA NO ESTÚDIO
O Portal Mareli Martins entrevistou todos os candidatos ainda no período pré-eleitoral, quando ainda eram pré-candidatos, Sandro Alex foi o único que não compareceu, mesmo depois de inúmeros convites.
Agora, no período eleitoral, estamos tentando de forma insistente que Sandro Alex compareça no estúdio. Sandro sempre diz que aceita o convite, mas nunca comparece de fato. Por outro lado, existe uma grande dificuldade junto à assessoria do candidato.
Importante de dizer que nas “mídias governistas”, ou seja, aquelas que recebem valores bem grandes de recursos do Governo do Estado (dinheiro público), Sandro já compareceu por diversas vezes. Neste caso, não se trata de publicidade institucional, o que não é irregular. E sim de veículos que recebem dinheiro público em volume grande em troca do silêncio e da bajulação, ou seja, não questionam, não apertam, apenas promovem o político ou o candidato.
O Portal Mareli Martins exerce o jornalismo livre e jamais se prestaria ao papel de redes e portais antigos da cidade, mas que viraram repetidores de releases de assessoria e de clássicas bajulações de políticos.
Sandro disse que virá ano nosso portal, estamos aguardando! Será muito bem vindo!
Na última semana entrevistamos os candidatos: Requião Filho (PDT) e Luiz França (Missão)




