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Teka recebeu R$ 531 mil do fundão e declarou R$ 137 mil em despesas: e pra onde foi o restante do dinheiro?

Teka recebeu R$ 531 mil do fundão e declarou R$ 137 mil em despesas: e pra onde foi o restante do dinheiro?
  • Publishedoutubro 7, 2026
Teka recebeu R$ 531 mil do fundão e declarou R$ 137 mil em despesas: e pra onde foi o restante do dinheiro?

 

Durante as campanhas eleitorais tem santinho, adesivo, combustível, equipe, produção de vídeo, divulgação nas redes sociais, estrutura de campanha e uma série de outras despesas. E a conta é paga com chamado Fundo Eleitoral, o famoso “Fundão”, dinheiro da população.

Na prática, é dinheiro público destinado aos partidos para financiar campanhas.

A candidata ao cargo de deputada estadual, vereadora Teka dos Animais (União Brasil) recebeu R$531.630,00 do fundão eleitoral, um valor considerado alto.

No entanto, chama atenção que a vereadora não empenhou e nem gastou todo o valor, conforme a prestação de contas da candidata no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na prestação de contas analisada aparecem R$137.961,33 em despesas contratadas e R$100.761,33 em despesas pagas.

Entre o total recebido e o valor registrado como efetivamente pago naquele momento, há uma diferença de R$ 430.868,67.

Isso não significa, automaticamente, que o dinheiro tenha sido utilizado de maneira irregular, mas a vereadora precisa explicar pra onde foi esse dinheiro.

Nos bastidores, existe uma suspeita e uma investigação sobre o uso de candidatos laranjas para destinar o fundo eleitoral para outros candidatos, por parte do União Brasil.

Uma despesa contratada pode ainda não ter sido paga, e a análise de uma prestação de contas precisa considerar eventuais retificações, pagamentos posteriores, sobras de campanha, devoluções de recursos e a decisão final da Justiça Eleitoral.

Ainda assim, diante de um volume superior a meio milhão de reais em recursos públicos, a diferença merece ser esclarecida.

 

Andressa Bianchessi: (assessora de Matheus Laiola) mais de R$ 1,1 milhão

No caso de Andressa Bianchessi, os valores são ainda maiores.

A candidatura recebeu R$1.133.320,00 do Fundo Eleitoral.

Nos dados analisados aparecem R$811.676,40 em despesas contratadas e R$655.371,60 em despesas pagas.

A diferença entre o valor recebido e o total registrado como pago chega a R$477.948,40.

Mais uma vez, esse número não pode ser tratado isoladamente como dinheiro sem destino ou como prova de irregularidade.

A prestação de contas eleitoral possui diferentes etapas e categorias de registro, e a existência de despesas contratadas que ainda não foram pagas explica parte das diferenças.

Mas a pergunta permanece: qual foi a destinação final dos recursos recebidos?

Somadas, as duas campanhas receberam R$1.664.950,00 do Fundo Eleitoral.

Nos dados analisados, R$793.332,93 aparecem como despesas pagas.

A diferença chega a R$871.617,07.

É um valor que, isoladamente, não permite concluir que tenha havido qualquer irregularidade. Para chegar a essa conclusão seria necessário analisar integralmente os processos de prestação de contas, incluindo despesas contratadas, pagamentos posteriores, eventuais sobras e devoluções e, principalmente, as decisões da Justiça Eleitoral sobre cada candidatura.

Mas o tamanho da diferença torna legítima a cobrança por transparência.

 

O que dizem as decisões da Justiça Eleitoral

A própria jurisprudência eleitoral demonstra que a comprovação da aplicação dos recursos públicos é um ponto central na análise das contas.

O TRE-RO, por exemplo, registra casos em que despesas com recursos do Fundo Eleitoral foram consideradas irregulares justamente pela ausência de documentação capaz de comprovar adequadamente a despesa ou sua execução. Em determinadas situações, a consequência foi a desaprovação das contas e a determinação de devolução dos valores ao Tesouro Nacional. 

Isso não significa que os mesmos problemas tenham ocorrido nas campanhas de Teka dos Animais ou Andressa Bianchessi.

Significa apenas que, diante dos valores envolvidos, a documentação das campanhas precisa ser examinada com atenção.

 

Um partido experiente quando o assunto é dinheiro do Fundão

Nas eleições de 2022, as contas do União Brasil foram reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em Rondônia. Entre as investigações estavam principalmente a  falta de notas fiscais e a falta de prova da execução dos serviços. 

Em abril de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Rondônia reprovou as contas de 2022 do diretório estadual do União Brasil e condenou o partido a devolver quase R$1 milhão (cerca de R$999 mil) aos cofres públicos por irregularidades no uso do fundo partidário. 

O diretório do partido recorreu da decisão logo após o julgamento. No entanto, em maio de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) rejeitou os recursos por unanimidade e manteve integralmente a obrigação de devolução do dinheiro. 

O pagamento em si não costuma ser feito de forma voluntária ou imediata em dinheiro nesses casos. Na prática da Justiça Eleitoral, quando a condenação é definitiva, o valor devido de quase R$1 milhão passa a ser descontado diretamente dos futuros repasses das quotas do Fundo Partidário que o diretório teria direito a receber. 

Como o partido tentou reverter a condenação e não obteve sucesso no tribunal regional, a execução da cobrança segue os ritos determinados pelo TRE-RO.

 

Com colaboração de Lorena Santana, conforme convênio de estágio com o curso de Jornalismo da UEPG

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