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TCE aponta irregularidades na licitação do CRAR em contratação da Clinicão e manda suspender edital licitatório em Ponta Grossa

TCE aponta irregularidades na licitação do CRAR em contratação da Clinicão e manda suspender edital licitatório em Ponta Grossa
  • Publishedabril 24, 2026
TCE aponta irregularidades na licitação do CRAR em contratação da Clinicão e manda suspender edital licitatório em Ponta Grossa. (Foto: PMPG)

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) determinou a suspensão do edital Pregão Eletrônico nº 90025/2025, vinculado ao Processo Administrativo nº 89/2025, promovido pela Fundação Municipal de Saúde de Ponta Grossa, cujo objeto consistiu na contratação de empresa para prestação de serviços contínuos destinados ao funcionamento e à operacionalização do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR) e que culminou na contratação da Clinicão pelo valor de R$ 22 milhões. Empresa que teve as atividades suspensas pela Justiça por cometer crimes de maus-tratos aos animais. Relembre: Justiça suspende contrato da Clinicão em PG: clínica é acusada de cometer maus-tratos aos animais – Mareli Martins

As irregularidades começaram antes mesmo da instalação da Clinicão, ainda no processo licitatório, conforme o TCE. O órgão apontou falhas no processo licitatório, como possível conluio de empresas de fachada para beneficiar a Clinicão: “fizeram pesquisa orçamentária apenas com empresas com partes relacionadas”. A ação foi protocolada pela vereadora Joce Canto (PP).

 

Irregularidades na disputa de preços

“Em que pese ter havido competição durante a disputa de preços, não é possível ignorar o vício ocorrido na formação do orçamento para o certame. Dentre as empresas selecionadas para a cotação, não há uma relação de concorrência direta entre elas e isso acarreta a impossibilidade de se orçar um preço que corresponda a realidade do mercado, bem como fere o princípio do arm´s lengt”, apontou o TCE.

O princípio arm’s length refere -se à ideia de que as transações entre as entidades relacionadas devem ser tratadas como se estivessem entre as entidades independentes. Isso significa que os termos condições das transações controladas devem ser comparáveis aos das transações não controladas entre entidades não relacionadas.

 

Erros no certame

O órgão destacou que a Prefeitura de Ponta Grossa utilizou uma modalidade de licitação fora das previsões legais. “Entretanto, não é possível ignorar o fato que o Município criou uma modalidade de licitação que não possui previsão legal e a formação do orçamento violou frontalmente o mandamento do art. 23 da Lei n.º 14.133/2021. Então, se faz necessário a anulação do certame, mas sem olvidar da necessidade do serviço”.

 

As determinações do TCE à Prefeitura de Ponta Grossa

1. Determinar a anulação do certame com efeitos prospectivos, somente após a realização de nova licitação sem os erros constatados, em data oportuna a ser
definida pelo Relator;

2. Recomendar que o Município se abstenha de utilizar termos que restrinjam a competição, a menos que seja imprescindível à seleção do objeto ideal;

3. Recomendar ao Município que, para aprimorar a transparência da despesa pública nas licitações, seja garantida a separação entre material de consumo e
prestação de serviços na etapa de previsão orçamentária e principalmente na execução, mediante a distinção entre os tipos de empenhos e nas correspondentes notas fiscais de serviços e materiais/produtos fornecidos ao
Município.
4. Recomendar que o Município não utilize empresas relacionadas quando realizar pesquisa de preço.

 

Veja a decisão do TCE-PR

DECISÃO TCE CRAR

 

“Decisão do TCE foi necessária para garantir que a política pública atenda aos interesses coletivos e seja executada de forma legítima”, diz vereadora Joce Canto

A vereadora Joce Canto (PP) foi a autora da ação que mostrou as irregularidades na licitação do pregão do CRAR e que culminou na contratação da Clinicão. (Foto: CMPG)

A vereadora Joce Canto (PP) conversou com o Portal Mareli Martins sobre a decisão do TCE e destacou a importância de que “os interesses coletivos sejam preservados”, além de mencionar o bem-estar animal.

“A decisão do Tribunal de Contas revela-se alinhada ao interesse público, na medida em que determina a anulação do processo licitatório diante da constatação de irregularidades atribuídas tanto à Administração Municipal quanto à empresa contratada. Tal medida não apenas resguarda os princípios que regem a Administração Pública, como legalidade, moralidade e eficiência, mas também assegura a adequada aplicação dos recursos públicos. Além disso, a decisão demonstra sensibilidade quanto à necessidade de proteção e bem-estar animal, ao reconhecer que falhas no procedimento licitatório podem comprometer a qualidade e a regularidade dos serviços prestados. Nesse sentido, a anulação do certame configura providência necessária para garantir que a política pública seja executada de forma legítima, eficaz e em conformidade com os interesses coletivos”, declarou a vereadora.

 

O que disse a Prefeitura de Ponta Grossa?

Enviamos questionamentos à Prefeitura de Ponta Grossa, mas não até o fechamento da reportagem não tivemos resposta.

Questionamentos enviados à Prefeitura

– O TCE determinou a suspensão do pregão do CRAR para contratação de clínica veterinária. O TCE apontou diversas irregularidades: conluio de empresas de fachada para beneficiar a Clinicão, modalidade de disputa de preços incorreta, entre outras falhas. Precisamos de uma posição sobre isso. O que a Prefeitura tem a dizer sobre as irregularidades apontadas pelo TCE na licitação?

– Outra ponto, a Justiça determinou (anteriormente) a suspensão das atividades da Clinicão por maus-tratos aos animais e outras falhas e deu 10 dias para prefeitura fazer o serviço, seja por credenciamento de clínicas da cidade (como era antes, desde que paguem as clínicas) ou que a prefeitura assuma o serviço. Quais medidas a Prefeitura tomou?
– Como está sendo feito o atendimento dos animais? Ou como será feito? Em relação aos crimes cometidos pela Clinicão, quais medidas a Prefeitura vai tomar?
-Ou a Clínica sairá da cidade de forma impune?

 

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