Clinicão nega situação de sofrimento de cachorro: sem conclusão de fiscalização por parte do Conselho de Defesa Animal, caso gera dúvidas

Após conseguir uma liminar judicial, com apoio policial e possibilidade de arrombamento para entrar no estabelecimento da Clinicão, o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA) não realizou a fiscalização da denúncia sobre um cão, que estaria em sofrimento na clínica, no último sábado (30).
Primeiramente, os conselheiros foram até Clinicão, mas foram impedidos de entrar. Na sequência, o Conselho conseguiu uma liminar judicial que garantia a entrada, mesmo assim, a Clinicão não permitiu a entrada. E, por último, o Conselho obteve uma liminar que permitiu o uso de força policial, além de arrombamento, caso tivesse a negativa novamente da Clinicão.
Essa última liminar, assinada pela juíza Maria Cecilia Puppi, da Unidade Regionalizada de Plantão Judiciário de Ponta Grossa, foi concedida ainda na noite de domingo (31).
Nesta segunda-feira (1º), o Portal Mareli Martins questionou o presidente do CMPDA, Anael Ruccieri Proença dos Santos, sobre a ausência de fiscalização do conselho na Clinicão, depois do órgão garantir liminar que prevê uso de força liminar e arrombamento. Anael respondeu que o “conselho não conseguiu veterinários para se deslocar até a Clinicão”.
“Nossos veterinários são voluntários e não conseguimos nenhum pra ir lá”, disse Anael Ruccieri Proença dos Santos.
Neste período, a Clinicão e a tutora do suposto animal que estava em sofrimento se manifestaram por meio de nota e vídeo. A Clinicão negou crime de maus-tratos e sofrimento do animal. E a tutora do cachorro, de nome Café, também negou sofrimento ou qualquer tipo de irregularidade em relação ao atendimento do animal.
Segundo, Karine Augusta da Silva, “o cão estava chorando por não estar acostumado a ficar sozinho”. Ela também afirmou “que o animal foi bem atendido pela clínica e já está em casa”.
Ocorre que como a Clinicão não permitiu a entrada, não foi possível a fiscalização por parte do Conselho no sábado (30). E é preciso destacar que o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (CMPDA) falhou por não ter ido novamente à Clinicão, depois que conseguiu no domingo (31) a liminar da Justiça, com possibilidade de uso policial e arrombamento, em caso de resistência por parte da Clínica. Ou seja, conseguiram todas as garantias judiciais e policiais para entrar no local, mas não foram.
Dessa forma, não é possível saber se o cão Café, que aparece no vídeo da Clinicão, se trata do mesmo que estava na clínica, no momento da suposta denúncia.
A Clinicão gera suspeita por não permitir a fiscalização. Mas o Conselho Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais falhou por não cumprir seu papel fiscalizador, por não ter ido até a clínica, visto que possuía garantia jurídica e policial para isso.
Em resumo, não tem como saber se o cão apresentado pela Clinicão é o mesmo que estava na clínica no sábado e alvo da suposta denúncia. E, ao mesmo tempo, a atitude do CMPDA em não ter ido fazer a fiscalização, mesmo com todas as garantias jurídicas, também gera dúvida.
Veja a declaração da Clinicão
DEPOIMENTO DA TUTORA DO CÃO CAFÉ
Meu nome é Karine Augusta da Silva Nunes e sou tutora do cão Café.
No dia 29 de maio procurei ajuda da Clinicão CRAR porque meu cachorro apresentava um ferimento grave na região genital. O Café foi adotado há pouco tempo e acreditamos que tenha cerca de cinco meses de idade.
Quando vi as notícias e vídeos que passaram a circular sobre um cachorro chorando dentro da clínica, tive certeza de que se tratava dele. O Café sempre chora quando fica sozinho ou preso, porque em casa convive com outros cães e está acostumado a permanecer acompanhado.
Por esse motivo, sinto a necessidade de esclarecer o que realmente aconteceu.
Meu cachorro recebeu atendimento veterinário, foi avaliado, medicado e tratado pela equipe da Clinicão. Posteriormente fui buscá-lo na clínica e ele retornou para casa em segurança. Hoje está bem, recuperado e sem o problema que motivou o atendimento.
Em nenhum momento presenciei maus-tratos, abandono ou qualquer situação que justificasse as acusações que estão sendo divulgadas. Como tutora, acompanhei o caso e posso afirmar que meu animal recebeu os cuidados necessários.
Também quero deixar claro que nunca apresentei denúncia contra a Clinicão e jamais imaginei que a situação do meu cachorro pudesse ser utilizada para transmitir uma versão diferente da realidade que vivi.
Fui atendida com respeito, recebi orientações sobre o tratamento e tive meu animal devolvido em condições melhores do que quando foi encaminhado para atendimento.
O que mais me entristece é ver um serviço que auxilia tantas pessoas sendo alvo de acusações sem que a verdade dos fatos seja considerada. Muitas famílias não possuem condições de custear atendimentos veterinários particulares e dependem desse suporte para garantir saúde e bem-estar aos seus animais.
Por isso, considero importante registrar publicamente meu depoimento e reafirmar que o Café foi atendido, tratado e devolvido a mim em recuperação.
Espero que os fatos sejam analisados com responsabilidade e que a verdade prevaleça.
Karine Augusta da Silva Nunes
Tutora do cão Café
Caso do cão
A Clinicão esclareceu que a denúncia foi feita em relação ao cão conhecido como “Café”. Eles contam que após o tratamento o animal já encontra-se sob os cuidados da tutora.
“É importante esclarecer que o animal deu entrada na unidade apresentando quadro de parafimose, condição caracterizada pela exposição persistente da genitália. O animal recebeu acompanhamento médico-veterinário, tratamento adequado para o quadro apresentado e apresentou evolução clínica satisfatória, recebendo alta no domingo”, diz a assessora da Clinicão.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a tutora do animal, Karine Augusta da Silva Nunes, relata que não houve problemas no atendimento da clínica veterinária e que o animal estava chorando por não estar acostumado a ficar sozinho.
Pronunciamento do Conselho
Após as resposta da Clinicão sobre o cão Café, o Conselho não se pronunciou.
Como não houve fiscalização do Conselho, não há como afirmar se o cão no vídeo é de fato o animal da denúncia.
Relembre o caso
No último sábado (30), uma denúncia anônima relatou que um animal estava em aparente sofrimento dentro da Clinicão.
“Um animal se encontrava, havia várias horas, em aparente e intenso sofrimento no interior do estabelecimento da clínica Ideal Vet, local em que são prestados, por subcontratação da Clinicão, serviços veterinários ao Município 24 horas, de forma ininterrupta”, declarou o Conselho.
Diante da situação, a conselheira relatora da Comissão de Fiscalização da Atividade Pública (COMFAP), Viviane Ribeiro, e a médica veterinária e perita técnica do Conselho, Bárbara Graciela Mauricio, tentaram entrar no estabelecimento, mas foram impedidas.
O Conselho então fez o pedido e conseguiu um processo liminar para entrar no local no último domingo (31). Também conseguiram apoio policial e ordem de arrombamento em caso de interferência da clínica.
Em resposta ao Portal Mareli Martins, o Conselho informou que ainda não se deslocaram até o local, porque não possuem veterinário disponível para acompanhar o procedimento, algo obrigatório. No entanto, existe a previsão de que a visita seja realizada ainda hoje.
Com a colaboração de Ester Roloff, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).




