Eleições no Paraná: Pesquisa Veritá usou ligações automáticas feitas por robôs, sem coleta com profissionais em campo

A metodologia que foi utilizada pelo Instituto Veritá de Pesquisa está sendo alvo de críticas entre eleitores e políticos. O problema é que o Instituto realizou um levantamento sobre o cenário eleitoral no Paraná de forma robotizada, ou seja, sem entrevistadores humanos e capacitados. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (9).
A pesquisa foi feita entre os dias 02 a 06 de junho de 2026, com moradores do Paraná. Foram realizadas 2.010 entrevistas (não pessoais e não presenciais). A margem de erro é de 2,5 pontos para mais ou menos e o intervalo de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado junto ao TRE sob o número PR-08570/2026 e no TSE como BR-08297/2026. Consta que foi o Veritá que contratou (isso no papel).
O Portal Mareli Martins verificou os detalhes sobre o método junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em termos práticos, a pessoa recebeu uma ligação e do outro lado havia uma gravação (um robô), com questionário estruturado. Dessa forma, se uma resposta for incorreta ou se a pessoa não entender direito a pergunta, como será que foi feita a explicação?
Sem falar no fato de que idosos e alguns grupos possuem certa dificuldade em lidar com atendimento mecanizado.
Além disso, muitas pessoas nem atendem ligação de número desconhecido e se tiver um robô do outro lado, pior ainda.
O fato é que essa metodologia gera mais dúvidas do que certezas, levanta mais perguntas do que responde perguntas.
Não houve pesquisadores em campo, ou seja, não teve coleta de dados em campo feita por profissionais.
Outro problema é o volume gigantesco de indecisos e que não responderam. Em um dos cenários, mais da metade dos entrevistados simplesmente não escolheu nenhum candidato. Quando a maioria da amostra fica fora da resposta, estamos diante de um retrato confiável de opinião pública ou uma fotografia extremamente incompleta?
Também chama a atenção a diferença entre cenários espontâneos e os estimulados. Em algumas situações, determinados candidatos apresentam saltos expressivos quando seus nomes são apresentados ao eleitor. Isso pode indicar influência da própria lista apresentada e exige cautela na interpretação dos resultados.
Vale lembrar que o Instituto Veritá já foi amplamente citado após as eleições de 2022 por ter apresentado as projeções mais erradas, mais distantes dos resultados que oficialmente foram registrados nas urnas. Mas não estamos discutindo candidato A, B ou C e nem somos contrários ou favoráveis a nenhum deles, o que é preciso atenção é para essa metodologia de pesquisa, pois eleição é algo sério.
Qualquer pesquisa eleitoral, na maioria das vezes, reflete o interesse de quem pagou pela pesquisa, por isso nenhuma pesquisa deve servir de base para que o eleitor tome sua decisão. O eleitor deve procurar informações sobre os candidatos, histórico, postura, se já tem cargo, verificar o trabalho desse parlamentar, analisar os planos de governo, no caso dos que concorrem as vagas majoritárias. Por estratégia, na maioria das vezes, não vai aparecer no site do TSE quem realmente pagou a pesquisa e não falo especificamente desse levantamento, mas de qualquer outro. Quem pagou, não aparece.
Por isso é importante que os eleitores sejam espertos, bem informados e mais do que nunca: duvidem de tudo e todos! Fica a dica…
Acesse as informações sobre a metodologia do Veritá
Consulta às pesquisas registradas — Tribunal Superior Eleitoral
Os resultados
Cenário 1- 1º turno – governador

1° Turno- Cenário 02

1° Turno- Cenário 03

2° Turno – Rafael Greca (MDB) x Requião Filho (PDT)

2° Turno – Sergio Moro (PL) x Requião Filho (PDT)

2° Turno – Sergio Moro (PL) e Rafael Greca (MDB)

2° Turno – Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD)

Rejeição





