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Após decisão que barrou votação, Curi diz que Alep vai recorrer ao STJ sobre processo de cassação de Renato Freitas (PT)

Após decisão que barrou votação, Curi diz que Alep vai recorrer ao STJ sobre processo de cassação de Renato Freitas (PT)
  • Publishedjunho 15, 2026
Anúncio foi feito pelo presidente da Casa, deputado Alexandre Curi (Republicanos), em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (15). Foto: Valdir Amaral/Alep

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), anunciou nesta segunda-feira (15) que a Casa de Leis recorrerá, até a próxima quarta-feira (17), da decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que suspendeu a tramitação do projeto de resolução nº 7/2026. A proposta estabelece a perda do mandato do deputado Renato Freitas (PT) por quebra de decoro parlamentar e tinha votação em Plenário prevista para esta terça-feira (16). O despacho suspensivo foi proferido pelo desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama e está em segredo de justiça.

“Vamos entrar com um recurso de suspensão de liminar até a próxima quarta-feira (17) no Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, anunciou Curi durante entrevista coletiva realizada no início da tarde. Conforme o presidente, a petição demonstrará, entre outras coisas, que o processo ético-disciplinar é de natureza interna corporis — relativo a questões internas do Parlamento — e que deve ser resolvido exclusivamente pela instituição, sem interferência externa. “Vamos defender a independência do Poder Legislativo”. Segundo o chefe do Legislativo, o objetivo é garantir que o processo siga seu curso regular e que a decisão final seja tomada pelo Plenário, soberano em suas deliberações.

O presidente da Casa de Leis destacou ainda que a decisão do desembargador não questiona a lisura dos atos do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça. “Pelo contrário, o desembargador enaltece todo o trâmite jurídico desse processo ético-disciplinar e reconhece que ele foi conduzido de acordo com o nosso Código de Ética, que estabeleceu regras claras, prazos definidos e segurança jurídica. O desembargador leva em conta, na decisão, o poder geral de cautela na esfera eleitoral.”

Por fim, Curi também elogiou o trabalho conduzido pelo Conselho de Ética da Alep e pela Comissão de Constituição e Justiça, presididas pelos deputados Delegado Jacovós (PL) e Ademar Traiano (PSD), respectivamente. A denúncia foi analisada ao longo de seis meses pelo Conselho de Ética, tendo posteriormente sua constitucionalidade aferida pela CCJ. A condução do processo ocorreu com transparência e respeito a todos os prazos previstos, finalizou o presidente da Alep.

Relembre o caso

De autoria do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alep, o projeto de resolução acusa Freitas de quebra de decoro parlamentar no âmbito do processo 25804-80/2025, que apurou o envolvimento do parlamentar em uma luta corporal no Centro de Curitiba. Os fatos foram registrados em novembro de 2025. A briga ocorreu com um manobrista e foi documentada por imagens de câmera e de celular.

De autoria dos vereadores de Curitiba Bruno Secco, Eder Borges, Guilherme Kilter e Tathiana Guzella, além dos deputados Fábio de Oliveira (Novo), Ricardo Arruda (PL) e Tito Barichello (PL), a denúncia tramitou no Conselho de Ética entre dezembro de 2025 e maio de 2026. No período, o colegiado ouviu as testemunhas do caso arroladas pelo relator e pela defesa: o manobrista à época dos fatos, Weslley de Souza Silva, além de Carlos Alberto Ferreira de Souza e Arleide Cerqueira Xavier Muller, que acompanhavam Freitas na ocasião. Duas semanas após os depoimentos, Renato apresentou sua defesa, sustentando que o manobrista avançou contra eles e que ele atuou para cessar uma possível agressão e defender a mãe de sua filha.

Ao fim da fase de investigação, no dia 11 de maio, o colegiado acatou o parecer apresentado pelo relator do caso, deputado Márcio Pacheco (Republicanos), que entendeu como medida disciplinar cabível a perda do mandato de Freitas. O deputado Doutor Antenor (PT) apresentou voto em separado ao relatório, defendendo a aplicação de penas mais brandas, mas o voto foi vencido.

No último dia 2 de junho, a CCJ ratificou o parecer do deputado Luiz Fernando Guerra (Novo), que manteve a decisão do Conselho de Ética pela perda do mandato de Renato Freitas (PT). Guerra defendeu que o procedimento tramitou com observância do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, alegando ainda que as nulidades arguidas não foram acompanhadas da demonstração de prejuízo efetivo, requisito essencial para a invalidação dos atos processuais. O texto recebeu votos contrários dos deputados Ana Júlia Ribeiro (PT) e Arilson Chiorato (PT).

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