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Justiça suspende cassação de Renato Freitas: Oposição aponta falhas no processo da Alep

Justiça suspende cassação de Renato Freitas: Oposição aponta falhas no processo da Alep
  • Publishedjunho 15, 2026
Deputado Arilson Chiorato alerta sobre falhas no processo da Alep sobre a cassação de Renato Freitas. (Foto: Assessoria/Alep)
A suspensão do processo de cassação do deputado estadual Renato Freitas (PT) pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) repercutiu na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (15). O deputado Arilson Chiorato (PT), Líder da Oposição na Alep e presidente do PT-PR, e o deputado Professor Lemos (PT), Vice-líder da Bancada de Oposição, defenderam o mandato do parlamentar e afirmaram que a decisão da Justiça confirma alertas feitos desde o início do caso.

A decisão do desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama suspendeu as recomendações de cassação aprovadas pelo Conselho de Ética e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep. Com isso, o processo não pode avançar até uma nova análise do Tribunal de Justiça.

A defesa de Renato Freitas sustenta que o episódio que deu origem ao caso aconteceu fora do exercício do mandato parlamentar. Esse entendimento já havia sido adotado pelo Ministério Público do Paraná e pelo próprio Tribunal de Justiça em manifestações anteriores.

Para o deputado Arilson, a decisão reforça a necessidade de cautela antes de qualquer deliberação sobre o mandato do deputado.

“A gente alertou desde o começo que esse processo era viciado. Houve questionamentos sobre a condução do caso no Conselho de Ética e também na CCJ. A decisão demonstra que o julgamento em plenário poderia produzir consequências irreparáveis aos direitos políticos do deputado Renato Freitas”, afirmou.

Deputado Arilson critica condução do processo

Durante o pronunciamento, o deputado Arilson voltou a citar pontos levantados pela defesa ao longo do processo. Entre eles, a participação de parlamentares que, segundo os questionamentos apresentados, estariam impedidos de atuar no caso e o entendimento de que os fatos investigados não ocorreram durante o exercício do mandato.

O Líder da Oposição lembrou que o próprio desembargador Rogério Kanayama já havia determinado o envio do caso para a primeira instância justamente por entender que o episódio não tinha relação com a atividade parlamentar exercida por Renato Freitas.

“Não se caça alguém porque é adversário político. A decisão judicial precisa ser respeitada. O desembargador teve a cautela que muitos não tiveram durante esse processo”, declarou.
O deputado Arilson também afirmou que a suspensão evita uma decisão com efeitos difíceis de reverter e criticou o que considera uma tentativa de transformar o caso em disputa política dentro da Assembleia.

De acordo com a defesa, o processo apresenta falhas relacionadas aos prazos, ao direito de defesa, à condução dos trabalhos no Conselho de Ética e à análise do recurso apresentado à CCJ. Esses argumentos seguem sob análise da Justiça.

Professor Lemos diz que decisão confirma alertas da Oposição

Ao ocupar a tribuna, o deputado Professor Lemos afirmou que a suspensão determinada pelo TJ-PR confirma preocupações manifestadas pela Bancada do PT desde o início do processo.

“Não podemos aceitar a cassação de um deputado que faz um trabalho importantíssimo na defesa do interesse público, no combate à corrupção, na defesa da igualdade racial e contra todas as formas de discriminação”, afirmou.

O parlamentar lembrou que Renato Freitas já enfrentou situação semelhante quando exercia mandato de vereador em Curitiba e destacou que, naquela ocasião, a Justiça também reverteu a decisão política.

Professor Lemos afirmou ainda que o atual mandato possui relevância reconhecida dentro e fora do Paraná e defendeu que a proporcionalidade seja observada na análise do caso.

“O Poder Judiciário identificou problemas no processo e suspendeu a cassação. Foi uma decisão correta. Nós já havíamos demonstrado que existiam equívocos e que a punição proposta era desproporcional”, disse.

O vice-líder da Oposição também criticou discursos que, segundo ele, defendem punições severas contra Renato Freitas enquanto relativizam episódios mais graves envolvendo outros agentes políticos.

Renato Freitas afirma que caso ocorreu fora do exercício do mandato

Em aparte durante a sessão, Renato Freitas afirmou que a suspensão determinada pelo Tribunal de Justiça tem fundamento no próprio Código de Ética da Assembleia Legislativa.
O deputado lembrou que a regra prevê a possibilidade de perda do mandato em casos de agressão física quando o fato ocorre durante o exercício da atividade parlamentar.

“Eu estava saindo da ecografia da minha filha em uma atividade privada quando aconteceu o episódio. Isso não caracteriza exercício do mandato. Esse entendimento foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça e também pelo Ministério Público”, afirmou.

Renato Freitas também criticou manifestações de parlamentares que questionaram a decisão judicial. Alguns dos críticos já foram beneficiados por arquivamentos ou decisões favoráveis da Justiça em situações anteriores, conforme o parlamentar.

Para o deputado, a suspensão demonstra que a discussão precisa ser feita com base nos fatos e no que determina a legislação, e não em interesses políticos ou eleitorais. Com a decisão do Tribunal de Justiça, a votação da cassação de Renato Freitas não poderá ocorrer até que o mérito da ação seja analisado pela Justiça.

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