Eleições 2026: “O que está em jogo no Paraná é a nossa soberania, essa é a ameaça do candidato da extrema direita”, diz vice de Requião Filho

Candidato a vice-governador do Paraná pelo Solidariedade na chapa encabeçada por Requião Filho (PDT), Michele Caputo Neto (Solidariedade) concedeu entrevista ao Portal Mareli Martins e apresentou propostas e posicionamentos as eleições de 2026.
Caputo foi secretário municipal de Saúde de Curitiba e secretário estadual da Saúde durante os governos de Beto Richa (PSDB). Ele Também exerceu mandato de deputado estadual, além de ter atuado como funcionário da carreira na Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). A composição de Requião Filho com Caputo foi oficializada em agosto.
Durante a entrevista, o candidato falou principalmente sobre saúde pública, mas também abordou a relação com Requião Filho, privatizações, pedágios, saneamento, política fiscal, pesquisas eleitorais e a aliança formada para a disputa pelo Governo do Paraná.
“O que está em jogo hoje é soberania. Temos um candidato da extrema direita que é uma ameaça a soberania, com possível intervenção do Trump no Brasil e no Paraná, pois o candidato representa o bolsonarismo”, disse Caputo, se referindo ao senador Sergio Moro (PL), que representa a extrema direita e voltou a ser aliado de Flávio Bolsonaro (PL), após ter dito que “Flávio cometia rachadinha” e que “Bolsonaro não combateu a corrupção”.
União com Requião Filho
Questionado sobre a aproximação com Requião Filho, considerando que o deputado já havia feito críticas à gestão de Beto Richa, quando Caputo era secretário estadual da Saúde, o candidato afirmou que diferenças políticas não impedem alianças.
O candidato a vice-governador, disse que já havia votado em Roberto Requião em diferentes disputas eleitorais e afirmou que a aproximação atual representa, segundo sua avaliação, uma convergência diante do cenário político nacional.
“É união de forças pelo Paraná e isso é muito natural, nunca fomos inimigos, inclusive já votei no Requião em diferentes momentos eleitorais. Temos um projeto para o Paraná”, afirmou.
Caputo defende regionalização de hospitais, para resolver falta de leitos
Caputo defendeu a regionalização dos serviços como uma das principais estratégias para enfrentar a falta de leitos, filas para consultas e procedimentos e a concentração de atendimentos em grandes centros.
“Temos que avançar com a regionalização, hoje existem hospitais e estruturas já construídas no Paraná e que não funcionam em plena capacidade”, destacou.
O candidato citou como exemplos estruturas hospitalares em Guarapuava, Paranavaí, Irati e Telêmaco Borba: “a utilização plena dessas unidades poderia reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes e diminuir a pressão sobre hospitais de referência”.
Caputo também defendeu a utilização de telemedicina e telessaúde para ampliar o acesso a consultas especializadas e laudos, mas ressaltou que o modelo depende de infraestrutura adequada nas unidades básicas.
“Se tiver infraestrutura, a telemedicina funciona bem”.
Falta de transparência nas filas do SUS
Durante a entrevista, Michele Caputo também defendeu a transparência das filas do Sistema Único de Saúde.
Ele afirmou ter apresentado, durante o período em que exerceu mandato parlamentar, um projeto que resultou em lei para permitir o acompanhamento das filas do SUS.
“O paciente deve ter acesso a informações sobre sua posição na fila e sobre o andamento do atendimento. Isso é um projeto lei, mas infelizmente não estão cumprindo”, apontou.
Críticas à atual gestão da saúde: “houve retrocesso”
Ao ser questionado sobre o aumento das filas por médicos especialistas, cirurgias eletivas e a falta de leitos no Paraná, Caputo atribuiu parte dos problemas à falta de continuidade de políticas de regionalização.
“Nós fizemos muito, mas o Paraná andou pra trás nessa gestão”, criticou.
A regionalização da saúde diz respeito a organizar o atendimento do SUS para que cada região do Estado tenha uma rede de serviços capaz de atender a população das cidades daquele entorno, sem que todo mundo precise ir para a capital ou para grandes centros.
“Claro que a pandemia de Covid-19 provocou impactos no sistema de saúde, mas os problemas atuais não podem ser explicados somente pelo período da pandemia. Decisões políticas e o fim de parcerias também colaboraram para a situação da saúde no Paraná”, disse.
Centro de Especialidades de Ponta Grossa: “não saiu por culpa da Prefeitura de Ponta Grossa”
A entrevista também abordou uma promessa feita durante a gestão do ex-prefeito Marcelo Rangel (PSD) e do ex-governador Beto Richa (Caputo era secretário) sobre construção de um Centro de Especialidades em Ponta Grossa. Mas nada saiu do papel.
“A estrutura dependia de uma articulação entre o governo estadual e os municípios da região, por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde, houve dificuldades na articulação entre os prefeitos e o recurso chegou a ser disponibilizado, mas posteriormente foi devolvido. Fizemos Centro de Especialistas em diversas cidades, mas em Ponta Grossa não foi possível, por falta de projetos da prefeitura e até mesmo do terreno. A responsabilidade maior por essa obra não ter saído é da Prefeitura de Ponta Grossa”, explicou.
Copel: candidato critica privatização
Caputo afirmou ser contrário à mudança no controle da companhia e classificou a privatização como um erro. Segundo ele, uma eventual gestão de Requião Filho deverá primeiro realizar auditorias e analisar os contratos antes de tomar qualquer medida.
“Vamos fazer auditoria nos contratos e se houver irregularidades, será possível rever essa privatização. Depois disso, vamos adotar medidas”.
Segundo Caputo, houve piora nos serviços da Copel após a privatização: “passei por cidades em que a Copel demora mais de 24 horas pra ligar a luz ou pra resolver um problema de falta de energia”.
Sanepar e tarifa de água
Sobre a Sanepar, o candidato afirmou que a chapa é contrária à privatização da companhia e defendeu o fortalecimento da fiscalização.
Ele também defendeu o fortalecimento da Agência Reguladora do Paraná (Agepar), com estrutura e servidores suficientes para fiscalizar os serviços públicos concedidos e regulados.
“Não vamos privatizar a Sanepar como esse governo tentou e vamos estruturar a Agepar para que ocorra fiscalização”.
Pedágios e contratos
Caputo criticou o modelo de concessões e questionou acordos firmados com empresas que operaram rodovias paranaenses. Segundo ele, a chapa pretende analisar contratos e obrigações assumidas pelas concessionárias.
O candidato também defendeu maior transparência sobre valores, obras previstas e responsabilidades relacionadas às concessões.
“Importante acompanhar e cobrar o andamento das obras para que não ocorra o que aconteceu no passado.
Ele também criticou os acordos de leniência feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) com as concessionárias corruptas. Na época, quem firmou os acordos foi Deltan Dallagnol, que era procurador do MPF. “Eles (judiciário) perdoaram dívidas bilionárias das concessionárias e graças ao acordo de leniência as empresas corruptas voltaram a a atuar”, disse Caputo, se referindo à Motiva (antiga Rodonorte).
Críticas à venda da Celepar
Segundo ele, a empresa concentra informações estratégicas e dados utilizados por diferentes órgãos públicos. Para o candidato, a venda exige uma discussão mais ampla sobre segurança e proteção de dados.
“Não vamos privatizar a Celepar e vamos proteger os dados da população”.
Renúncias fiscais
Na área econômica, o candidato afirmou que um eventual governo da chapa deverá revisar os incentivos e benefícios fiscais concedidos pelo Estado.
“Não vamos acabar automaticamente com as renúncias, mas analisar caso a caso, analisar os benefícios concedidos às empresas. Defendo empresas que geram empregos e possuem relevância econômica. o problema são as empresas que recebem incentivo fiscal e não apresentem contrapartidas suficientes, como geração de empregos”.
Caputo também afirmou que as micro e pequenas empresas estariam entre as prioridades defendidas pela chapa : “as micro e pequenas empresas serão nossa prioridade”.
Críticas ao governo Lula no Paraná, sendo a chapa aliada de Lula
Michele Caputo também foi questionado sobre a composição da chapa com partidos que integram a base de apoio ao presidente Lula (PT), diante do cenário político do Paraná, que tem grande rejeição à esquerda e, principalmente, ao presidente Lula.
“A aliança não significa ausência de críticas entre os partidos, mas temos que discutir propostas para o Paraná. Polarização e ideologia não leva a nada, isso não vai construir hospital e escola”.
e defendeu que o debate eleitoral seja concentrado em propostas para áreas como saúde, educação, infraestrutura e economia.
Propostas para os Campos Gerais
Entre os temas citados estão a regionalização da saúde, melhoria das estradas, fortalecimento das universidades públicas, inovação, digitalização dos serviços públicos, redução da burocracia e apoio ao setor produtivo.
O candidato também mencionou a necessidade de proteger o patrimônio natural da região e citou o potencial dos Campos Gerais relacionado às chamadas “terras raras e outros minerais estratégicos”, em Castro e Carambeí.
Caputo defendeu ainda medidas de apoio ao pequeno e médio agricultor, retomada do programa Trator Solidário e políticas de crédito e incentivo à produção.
Segundo ele, a proposta da chapa é apresentada sob o conceito de “Paraná que Cuida”, “colocando as pessoas como prioridade das políticas públicas”.
Colaboração: Lorena Santana/Jornalismo/UEPG
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Com a colaboração de Juliane Goltz, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).




