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“Não tem recurso sobrando, mas tudo está em dia”, afirma secretário da Fazenda de Ponta Grossa em relação ao fechamento de contas de 2026

“Não tem recurso sobrando, mas tudo está em dia”, afirma secretário da Fazenda de Ponta Grossa em relação ao fechamento de contas de 2026
  • Publishednovembro 6, 2026
Secretário da Fazenda de Ponta Grossa, afirma que cidade encerra o ano com o orçamento apertado. Foto: Lorena Santana

O secretário municipal da Fazenda de Ponta Grossa, Cláudio Grokoviski, afirmou que 2026 não tem sido um ano fácil para as finanças do município. Em entrevista ao Portal Mareli Martins, ele apresentou um panorama da situação financeira da Prefeitura, comentou as dificuldades enfrentadas pela administração e respondeu a questionamentos sobre arrecadação, despesas, dívidas e investimentos.

Sobre a situação das contas municipais e se os compromissos estão em dia, o secretário foi direto: “Não tem recurso sobrando, mas tudo está em dia”.

 

Governo Ratinho Jr. anunciou, mas parte dos recursos não foi repassada

A situação dos recursos estaduais para obras de pavimentação também foi questionada durante a entrevista.

Em 2025, o governador Ratinho Junior anunciou mais de R$ 100 milhões para Ponta Grossa, por meio do programa Asfalto Novo, Vida Nova.

Segundo Grokoviski, a Prefeitura realizou os procedimentos necessários para viabilizar o início das obras e aguardava o repasse dos recursos estaduais.

Do total anunciado, R$ 33 milhões já estão em execução na cidade. Entretanto, o restante dos valores não teria sido repassado, mesmo após a Prefeitura realizar licitações e contratar uma empresa para executar os serviços.

“Nós licitamos, contratamos, as obras iam ser iniciadas, mas o Estado falou que não vai ser feito o pagamento”, relatou.

O secretário também criticou o anúncio de valores que, segundo ele, não estavam adequadamente previstos no orçamento estadual.

“Anunciaram valores que não cabiam dentro do orçamento anual do Estado do Paraná”, afirmou.

 

 

Secretário defende tentativa de aumento dos salários da prefeita e dos secretários

Outro tema abordado foi a tentativa da administração municipal de aumentar os salários da prefeita e dos secretários, mesmo após diversos recursos e discussões sobre o assunto.

Questionado sobre a insistência da Prefeitura em buscar o reajuste em um momento de preocupação com a redução de gastos, Grokoviski saiu em defesa da medida.

Segundo ele, a remuneração dos gestores municipais estaria abaixo da praticada em cidades de porte semelhante.

“Quando a gente olha o salário da prefeita e dos secretários em comparação a outros municípios do mesmo porte, os salários são menores”, argumentou.

A declaração encerrou mais um dos temas da entrevista, que abordou os desafios financeiros de Ponta Grossa, as medidas para ampliar a arrecadação e o peso das despesas e dos compromissos assumidos pelo município.

 

 

Pavimentação: município financiou quase R$ 380 milhões

Outro assunto de destaque foi o volume de investimentos em pavimentação e a necessidade de contratação de operações de crédito pela Prefeitura.

Grokoviski explicou que, diante da ausência de repasses esperados, o município precisou recorrer a financiamentos para dar continuidade aos investimentos em infraestrutura.

“O município financiou quase R$ 380 milhões para a pavimentação. Todo mês são R$ 7 milhões para essa operação de crédito”, declarou.

 

 

Queda de 45% no IPVA preocupa municípios

Um dos assuntos abordados durante a entrevista foi a redução de 45% na alíquota do IPVA no Paraná e os impactos da medida na arrecadação dos municípios.

Segundo Grokoviski, a mudança provocou uma queda significativa nas receitas municipais, com reflexos percebidos no fechamento de outubro.

O secretário criticou a decisão do governo estadual, comandado por Ratinho Junior, e afirmou que faltou uma medida de compensação para as cidades paranaenses.

“Não foi positivo para os municípios paranaenses quando o Estado reduziu a alíquota do IPVA”, declarou.

Grokoviski também afirmou que o governo estadual deveria ter considerado os impactos da decisão sobre as administrações municipais.

“Faltou sensibilidade ao Governo do Estado do Paraná de fazer um tipo de compensação aos municípios paranaenses”, criticou.

 

 

Aumento do IPTU representa R$ 24 milhões a mais na arrecadação

Por outro lado, Ponta Grossa registrou crescimento na arrecadação do IPTU, após o aumento de aproximadamente 30% no imposto, que será implementado gradativamente nos próximos anos.

De acordo com o secretário, o município arrecadou R$24 milhões a mais com o IPTU em comparação com o ano passado.

“Tivemos um aumento de receita, mas tivemos uma perda grande também”, afirmou, ao comparar o crescimento da arrecadação do imposto com as perdas provocadas pela redução do IPVA.

Sobre a expectativa para o próximo ano, Grokoviski explicou que, caso 2026 termine com uma arrecadação de R$140 milhões em IPTU, a projeção é de um crescimento de 20% em 2027.

 

 

Inadimplência também preocupa a Fazenda

Outro ponto abordado foi o aumento da inadimplência dos contribuintes. O secretário confirmou que houve elevação no número de pessoas com dificuldades para manter os impostos em dia, mas afirmou que não relaciona diretamente esse cenário ao aumento do IPTU.

“Percebe-se uma inadimplência crescente, principalmente por conta da dificuldade geral que as pessoas estão tendo em deixar suas contas em dia”, explicou.

 

 

Refis: Prefeitura oferece descontos de até 100% em multas e juros

Durante a entrevista, o secretário também reforçou a importância do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), que permite que pessoas físicas e jurídicas regularizem débitos com o município.

O programa contempla dívidas relacionadas ao IPTU, ISS e outras taxas municipais, inclusive débitos inscritos em Dívida Ativa e aqueles que já estão em cobrança administrativa ou execução fiscal judicial, observadas as condições legais.

Entre os principais benefícios está a possibilidade de obter até 100% de desconto sobre multas e juros de mora para pagamentos realizados à vista.

A adesão pode ser feita de forma on-line, pelo site oficial da Prefeitura, na plataforma Governo Digital, ou pelo aplicativo OXY Cidadão, sem necessidade de comparecimento presencial à Praça de Atendimento.

A etapa atual do programa tem prazo até 18 de dezembro de 2026.

 

 

Por que a Prefeitura decidiu abrir novamente o Refis?

Grokoviski também explicou os motivos que levaram a administração municipal a rever a decisão de não manter programas de recuperação fiscal consecutivos.

A abertura frequente de Refis costuma gerar preocupação porque pode estimular o contribuinte a deixar de pagar os impostos em dia, esperando por futuras oportunidades de negociação com descontos.

No entanto, segundo o secretário, dois fatores pesaram na decisão: a dificuldade financeira enfrentada pelos contribuintes e os efeitos da Reforma Tributária sobre a arrecadação municipal.

“O que nos levou a tomar essa decisão foi a percepção de dificuldade de pagamento por parte do contribuinte e a Reforma Tributária”, explicou.

O secretário destacou que o momento é estratégico para os municípios, especialmente porque a arrecadação registrada entre 2019 e 2026 será considerada no cálculo da distribuição de recursos do futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), durante a transição do novo sistema tributário.

Na avaliação apresentada por Grokoviski, melhorar a arrecadação neste período é importante para garantir uma participação mais favorável de Ponta Grossa na distribuição dos recursos nos próximos anos.

Ele também apontou que o município possui um estoque expressivo de débitos, que chegou à casa dos R$ 400 milhões.

Dessa forma, o Refis foi apresentado não apenas como uma medida para aumentar a arrecadação imediata, mas como uma estratégia com reflexos financeiros para o futuro da cidade.

 

 

Precatórios: município deposita R$ 1,5 milhão por mês

A entrevista também abordou o peso das dívidas herdadas de administrações anteriores, especialmente os precatórios.

Segundo o secretário, a Prefeitura realiza depósitos mensais de aproximadamente R$ 1,5 milhão ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para o pagamento dessas obrigações.

“Somente em depósito de precatório, vindos de gestões anteriores, são mais de R$ 18 milhões por ano de arrecadação no município”, afirmou.

O compromisso representa uma despesa permanente e significativa para os cofres públicos, reduzindo a disponibilidade de recursos para outras áreas da administração.

 

 

Quase 300 cargos comissionados: secretário diz que número está dentro do limite

Questionado sobre a quantidade de cargos comissionados na Prefeitura, que se aproxima de 300, além das funções gratificadas, Grokoviski afirmou que uma eventual redução depende de uma decisão administrativa.

A pergunta considerou a possibilidade de enxugar a estrutura de cargos como uma alternativa para reduzir despesas municipais.

“É uma decisão de gestão, mas, proporcionalmente ao tamanho da cidade, nós estamos ainda dentro do limite”, respondeu.

 

Após decepção estadual, Moro vem como esperança?

Ao comentar a relação política com os governos, Grokoviski afirmou que Ponta Grossa foi mais contemplada com recursos do governo federal do que do governo do Paraná. Questionado sobre a expectativa de que o apoio político da prefeita ao novo governador possa favorecer o município na liberação de recursos, o secretário evitou tratar o alinhamento político como garantia de benefícios. “Terminou a eleição, os palanques são desmanchados e eu espero que se trabalhe em prol da cidade”, afirmou. 

Com a colaboração de Lorena Santana, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e o curso de Jornalismo da UEPG.

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