Sinduepg emite nota de apoio ao Portal Mareli Martins pela censura imposta por Deltan e o Partido Novo, além de ataques de outros políticos

O Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Sinduepg) manifestou apoio ao Portal Mareli Martins pela censura sofrida por parte do ex- procurador da República e por enquanto pré-candidato ao Senado, Deltan Dallagnol e de sua legenda, o Partido Novo. O sindicato repudiou também os recentes ataques do deputado estadual Marcelo Rangel (PSD), aliado do governador Ratinho Jr (PSD), que tem atacado a jornalista Mareli Martins nas redes sociais, prática já recorrente do grupo dos Oliveiras.
No final do mês de abril, o Partido Novo entrou com ações em massa contra jornalistas, portais de notícias, políticos, internautas, e até cidadãos comuns, que simplesmente disseram que ele foi cassado em 2023, informação que é verdadeira. E o chicote de Deltan foi mais forte para os que ousaram cogitar a possibilidade de inelegibilidade.
A Desembargadora do TRF4, nomeada pelo ex-presidente Bolsonaro, atuou em processos de improbidade administrativa da chama “operação Lava Jato”. Em 2019, a Desembargadora foi citada por Deltan Dallagnol. como uma pessoa que teria indicado nomes para a sucessão de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba. Áudio este que foi publicado pelo Jornal Intercept em 2020 nos arquivos que ficaram conhecidos como Vaza Jato.
As decisões da Desembargadora, que já se declarou suspeita por motivos de foro íntimo em ações que envolvem outros procuradores da operação Lava Jato. Diogo Castor de Mattos, têm determinado a remoção do conteúdo dos portais e redes sociais, com aplicação de multa de R$ 1 mil (por dia), R$ 30 mil no mês, em caso de descumprimento dos jornalistas. Além de multa, mínima, de R$ 5 mil (cinco mil reais).
Este foi o caso do Portal Mareli Martins. Recorremos imediatamente à decisão de remoção do conteúdo e da multa pelo simples fato de citar que Deltan Dallagnol foi cassado em 2023 e de mencionar a Lei de Inelegibilidade. Entendemos que a decisão não foi adequada por violar a liberdade de expressão e de imprensa.
Veja a nota do Sinduepg
NOTA DE APOIO À JORNALISTA MARELI MARTINS Sinduepg
Ponta Grossa, 7 de maio de 2026.
O Sinduepg vem a público apoiar a jornalista independente de Ponta Grossa, Mareli Martins, em favor da defesa intransigente da liberdade de imprensa, instituto constitucional basilar da democracia, e contra toda forma de lawfare, defindo por Martins, Martins e Valim (2020, p. 26) como “[…] o uso estratégico do Direito para fins de deslegitimar, prejudicar ou aniquilar um inimigo” .
Esta jornalista vem sofrendo ataques políticos da direita paranaense, concretamente do deputado estadual Marcelo Rangel (PSD) e do Partido Novo e Deltan Dallagnol. Marcelo Rangel desferiu ataques truculentos a jornalista, pelo simples fato de que ela noticiou que o deputado tinha uma pendência com o Ministério Público do Trabalho, e, por isso, teve recurso negado pelo Tribunal de Contas do Estado. Sua resposta nas redes à reportagem extrapola o contraditório, e passa à violência clara, que pode gerar ondas de outras violências contra esta e outras e outros jornalistas que venham a noticiar fatos concretos, especialmente em ano eleitoral.
Por outro lado, o mais recente ataque foi desferido pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, cuja participação na Operação Lava-Jato foi condenada, e que perdeu mandato de deputado federal por justamente ter se demitido da Procuradoria enquanto havia processos contra ele sobre a Lava-Jato, fraudando a lei, conforme decisão do TSE. Este processo o levou a uma condição de inelegibilidade. E, máximo horror, o que o Partido Novo e ele mesmo querem é que não se publique que ele se encontra inelegível, o que é simplesmente um fato líquido e certo. Para isso entraram com processos massivos contra jornalistas que publicaram esta informação, e a justiça anuiu e puniu a jornalista Mareli Martins com multa de R$5 mil reais e a retirada da matéria do site. Este é um caso clássico de lawfare.
O Sinduepg reforça sua posição radicalmente favorável à liberdade de informação, e repudia estes atos de violência e censura. Estaremos ao lado da informação neste e em todos os momentos, especialmente em ano eleitoral, em que as fake news e a violência política se exacerbam.




