Romanelli diz que candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná será confirmada

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), líder da bancada do PSD na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), participou nesta quinta-feira (23) do programa semanal de entrevistas do Portal Mareli Martins.
Romanelli falou sobre a pré-candidatura de Sandro Alex (PSD) ao Governo do Paraná, após indicação do governador Ratinho Junior (PSD). O deputado abordou também a implementação dos pedágios eletrônicos no estado. (Veja a entrevista completa no final da matéria).
O deputado Romanelli bateu bastante no modelo escolhido para as novas concessões de pedágio. Nesse contexto, quem estava à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná era Sandro Alex. Romanelli fez críticas publicamente e chegou a dizer que “Sandro Alex foi um dos pais do pedágio do Paraná”, contudo agora está defendendo a candidatura do ex-deputado.
O Portal Mareli Martins questionou essa mudança. Romanelli afirmou que sempre teve uma relação política com Sandro. “Eu sempre tive um diálogo franco com o Sandro, ele sempre também teve que ouvir as minhas explicações, os meus pedidos de explicação, minhas ponderações e meus questionamentos, Já Fizemos cara feia um para o outro, mas entendo que o Sandro Alex sempre quis o melhor para o Paraná”, disse.
Em relação aos pedágios do Paraná, Romanelli afirmou que Sandro trabalhou para fazer o que seria o melhor para o estado: “na visão do que ele tinha e do que os técnicos tinham, ele sempre quis o melhor”.
O deputado afirmou que “Sandro não é um pré-candidato laranja” e que ele será candidato a governador nas eleições pelo PSD até o fim. “Eu fiz algumas pesquisas e digo que Sandro Alex termina em primeiro lugar o primeiro turno e, se houver um segundo turno, ele vai para o segundo turno de forma muito boa para poder ganhar as eleições”, declarou.
Veja a declaração de Romanelli sobre a candidatura de Sandro Alex
Porque Ratinho descartou a candidatura de Guto Silva?
O deputado confirmou que apoiou a candidatura de Guto Silva (PRD). “Eu entendo que o Guto é um dos candidatos mais preparados, mas o governador também se baseou em pesquisas qualitativas de perfil. E o povo do Paraná está identificando muito o perfil do Sandro Alex como o fazedor”.
O Portal Mareli Martins questionou por que isso não foi cogitado antes, pois foram vários meses falando sobre as candidaturas ou de Alexandre Curi ou de Guto Silva. Romanelli explicou que o governador deixou a decisão para o último momento, mas que era um processo que deveria ter sido definido antes.
“Tivemos a surpresa da aliança do PL com o Sérgio Moro. O PL jurava de pé juntos que nunca faria aliança com Moro em função do distrato que eles tiveram ao longo da caminhada de ambos, os Bolsonaro com Moro”.
Se a retirada da candidatura de Guto Silva foi por conta das investigação de fraude em licitação, o deputado desviou a pergunta e não deu uma resposta clara.
Por fim o Portal indagou sobre o anúncio de Guto Silva, os investimento de R$ 100 milhões no asfalto de Ponta Grossa, o qual ele fez junto ao Marcelo Rangel (PSD) e a Mabel Canto (PP). Romanelli respondeu que, pelo que ele sabe, os projetos foram anunciados e até o momento foi permitida a vinda de “R$ 37 milhões”, ou seja, não serão R$ 100 milhões.
“Não existe acordo branco com Sergio Moro”
O deputado disse que Sergio Moro (PL) teve papel importante como juiz da Lava Jato, em que todos admiraram a sua coragem. Mas mesmo assim, Romanelli diz que não entende qual é a plataforma de Moro em relação a ser governador do Paraná.
“Do ponto de vista que eu estou vendo de políticas públicas, até agora, praticamente zero. A não ser um projeto de poder”, afirmou.
O Portal Mareli Martins questionou o deputado sobre a procedência da história de acordo branco entre o grupo do Ratinho e o Moro. Romanelli negou: “isso não é verdade. E em relação à chance de alguma aliança entre o grupo do Ratinho com Moro, ele também deu uma negativa: “não existe nenhuma possibilidade”.
Retirada da candidatura de Ratinho Júnior
O Portal Mareli Martins perguntou ao deputado se ele acredita que Ratinho Junior desistiu da candidatura à presidência por causa dos escândalos do Banco Master. O pai dele, Ratinho, recebeu do Banco Master, em torno de R$ 24 milhões, destinados ao Grupo Massa.
“Olha, com certeza não. Se houver alguma irregularidade, obviamente, ele tem que responder. No caso, o apresentador Ratinho. O filho, a mim, me parece que não tem absolutamente nada a ver com isso”.
Romanelli atestou que o Brasil inteiro sabe que o pai, o apresentador Ratinho, que é um grande personagem, era o garoto propaganda dos consignados do Banco, ou seja, o deputado afirma que obviamente ele recebia, e que ele vendeu publicidade para receber esses recursos.
“Eu não tenho aqui procuração para defender o apresentador Ratinho, até porque está fora da minha esfera de competência”, lembra.
O deputado disse que Ratinho sempre falou que não iria disputar nenhuma eleição em 2026, iria se dedicar a eleger um sucessor. “Ele sempre disse isso para mim: ‘Temos que dar continuidade a esse projeto de inovação e transformação do Paraná’”.
Gilberto Kassab
Romanelli disse que sempre teve dúvidas das intenções de Gilberto Kassab (PSD). Ele lembrou que o ex-ministro anunciou a candidatura do Ronaldo Caiado (PSD). “Tem algumas divergências de posicionamento com o Caiado, mas o Caiado foi um governador excepcional de Goiás. Um grande quadro da política nacional”.
“Indiscutivelmente, alguém que tem começo, meio e fim, tem consistência no que faz. Acho indiscutivelmente muito mais preparado que o Flávio Bolsonaro (PL)”. O deputado sustenta que Flávio Bolsonaro nunca administrou nada, mas Kassab é mais preparado.
A questão que o deputado levantou é se, de fato, Kassab vai manter a candidatura dele. “Essa candidatura, sim, eu tenho dúvida se vai ser mantida.”
Pedágios no Paraná
Em relação aos pedágios do Paraná, o deputado não acusou os responsáveis pelo problema, mas criticou a modelagem utilizada. Ele explicou que o modelo foi construído em conjunto com o Governo do Estado e o Governo Federal.
“A primeira modelagem apresentada pelo ex-ministro Tarcísio de Freitas (PSD) não foi aceita, tanto pelo governador Ratinho Junior, quanto pelo Sandro Alex, o que os fez pedir por um menor preço, por isso tivemos descontos em alguns trechos”.
O Portal Mareli Martins lembrou o deputado que os descontos não chegaram aos 50% que haviam sido prometidos, ao que Romanelli confirmou, mas frisou que “de qualquer maneira houve redução dos valores em relação à modelagem anterior”.
Ele levantou duas ações feitas na tentativa de resolver o problema. “Nós criamos a Frente Parlamentar sobre o pedágio para poder acompanhar o encerramento dos contratos anteriores, uma decisão muito correta tomada pelo Sandro Alex, claro, com a decisão final do governador do Paraná”.
Como as rodovias, na ampla maioria, são federais, a segunda ação realizada foi a de repassar para Brasília, para o Ministério dos Transportes e na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a responsabilidade de elaborar o projeto e conduzir o processo legislativo.
O deputado ressaltou que “o grande benefício do contrato foi em relação às garantias e à realização das obras no início do contrato”. Ele citou alguns trechos que já estão em duplicação, como é o caso de rodovias na região de Irati, Curitiba, Jacarezinho, e outros.
Uso do sistema Free Flow no Paraná: “não é free flow”, diz deputado
Romanelli esteve recentemente em Brasília conversando a respeito das cobranças eletrônicas das hospedagens aqui no Paraná, chamadas de Free Flow. Até poucos dias atrás, o Paraná tinha mais de 6 mil motoristas que já iriam cair na dívida ativa por conta dessas cobranças. Após esta conversa em Brasília, a ANTT decidiu suspender essas cobranças.
“A nossa ida a Brasília foi muito produtiva. Nós entregamos um documento onde expressamos todos os nossos pontos de vista, inclusive sobre a ilegalidade da utilização dos pórticos eletrônicos como se fosse Free Flow”.
Romanelli lembrou que a ANTT, responsável pela implementação do Free Flow, é uma agência reguladora, é federal. Ela está submetida à Presidência da República, submetida ao Ministério dos Transportes. Ela tem autonomia, mas está vinculada administrativamente ao Poder Executivo Federal.
“O Estado não sabia que haveria a implantação de pórticos eletrônicos, a implementação do sistema Free Flow não estava prevista durante os primeiros cinco anos de contratação, mas a ANTT autorizou por fora do contrato, o que eu entendo que é ilegal”
O deputado explicou que o sistema Free Flow existe no mundo inteiro. “Mas, o que é o Free Flow? É um sistema de livre passagem, no qual as rodovias trazem a seguinte lógica: você paga pelo que usa da rodovia. Na teoria isso dilui o custo, torna o pedágio mais barato, mas ao implantarem o sistema no Paraná colocaram a tarifa sem ser proporcional ao trecho da rodovia percorrida. Ele é efetivamente o valor da tarifa integral, aquele previsto lá no contrato, na licitação. Não tem redução. Tarifa cheia. Então, Free Flow não é”, declarou o deputado.
O deputado ressaltou que está questionando o modelo de cobrança implantado no Paraná, pois eles entende que não é possível substituir praça de pedágio física por pórtico, da forma que está sendo feito. O que pedem é que o contrato seja cumprido.
“Eu não sou inimigo de ninguém. Eu estou combatendo aquilo que eu entendo que não é correto. Eu tive grandes questionamentos sobre o que a Motiva estava fazendo. Eles recomeçaram a fazer a obra, a qual melhorou muito, mas ainda está longe daquilo que a gente quer das rodovias, que está previsto no contrato”.
Ele afirmou que o governo do Paraná não tem interferência nenhuma sobre o caso, pois o contrato é federal, então toda responsabilidade pelo Free Flow recai sobre Brasília.
“A médio prazo é necessário que o Free Flow seja implementado, porque ele é uma modernização e inovação do sistema, mas até que isso ocorra é necessário ter outros serviços paralelos funcionando”.
Contorno Norte Leste de Ponta Grossa
O deputado afirmou que participa dos debates em relação a construção do novo contorno da cidade. Ele auxilia de forma técnica, junto com representantes da sociedade civil organizada, em especial Gustavo Ribas, presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa.
Quando questionado, Romanelli afirmou que alguns participantes dos debates podem ter interesses particulares na construção do contorno. Contudo, o deputado chamou a atenção para a questão ambiental que rodeia a obra.
“Nesse debate, eu acho que é fundamental a participação cidadã. A prefeita Elizabeth Schmidt tem um papel muito importante nesse processo todo, porque sem as autorizações e as cartas de anuência da prefeitura, a Constituição não pode realizar a obra. Ela tem um papel muito decisivo nesse processo todo, ela que dá a última palavra”.
Com a colaboração de Ester Roloff, estagiária de Jornalismo, conforme convênio de estágio firmado entre o Portal Mareli Martins e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Veja a entrevista completa




